A Meditação e a Felicidade
Sexta, 09 de Outubro de 2015

Na última vez que escrevemos sobre meditação comentamos que a prática meditativa nem sempre é boa. Isso acontece porque no dia a dia estamos muito habituados a exercitar apenas o pensamento comum.

O pensamento comum - como afirma o grande mestre indiano Iqbal Kishen Taimni - mesmo quando é profundo e tem propósitos definidos, envolve apenas “movimentos superficiais da mente”. No raciocínio rigoroso, que talvez represente a mais elevada e a mais difícil forma desse tipo de atividade mental, a mente move-se de um modo disciplinado; mesmo assim, o movimento ainda é superficial. Não é um movimento de crescente profundidade. A mente pode estar engajada em uma atividade prolongada e concentrada, mas enquanto se move dessa maneira, só pode lidar e conhecer o que está relacionado à vida externa. Todas as realizações no reino da mente, mesmo as de natureza notável, são possíveis através desse tipo de atividade mental. Mas os mundos mais sutis e reais, ocultos nos níveis mais profundos da mente, não podem ser explorados e conhecidos dessa maneira. Deve-se buscar o “movimento em profundidade da mente”, como veremos mais nas próximas semanas.

Mesmo que durante as práticas iniciais não se consiga acessar os mundos sutis e reais através de um movimento em profundidade da mente, durante a meditação há uma chance enorme da pessoa se acalmar, de encontrar uma quietude, até mesmo com pensamentos superficiais. Com isso, é mais fácil identificarmos aquilo que somos e descobrirmos que não somos um monte de coisas. Já é um ótimo começo.

Através da meditação podemos encontrar uma energia interna que nem sempre percebemos que temos. E esta energia pode representar a felicidade, que habita em nosso interior. Por isso, a meditação faz uma mudança fantástica em nossa forma de viver: encontrando a felicidade em nosso mundo interno, deixamos de procurá-la em lugares externos a nós mesmos, onde ela só se apresenta de maneira perecível, passageira e instável; e, cultivando a felicidade interna, passamos a irradiar uma felicidade infinita, oferecendo a todos os que nos cercam muita tranquilidade, harmonia, paz e amor.

De certa forma, não meditamos para encontrar a felicidade, pois ela já está conosco, em nosso próprio interior. Sabendo disso, começamos a deixar de ser aquelas pessoas famintas e sedentas por felicidade para nos tornarmos pessoas que oferecem e compartilham a felicidade, que se preocupam em levar um pouco mais de conforto e alegria aos corações aflitos daqueles que ainda não aprenderam a desfrutar da beleza e harmonia da vida.

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