A Terceira Consciência Meditativa
Sexta, 16 de Outubro de 2015

Amigo leitor! Nas colunas anteriores já definimos as duas etapas preliminares da meditação ateniense que, em sua última instância, busca conduzir o ser à realização da “verdadeira meditação”. Relembrando, a primeira etapa pressupõe o fechar-se para o mundo externo a fim de se mergulhar no mundo interno sutil da essência humana, onde habita a felicidade. A segunda etapa envolve o despertar da consciência para o fato de que a meditação nem sempre é boa, principalmente aos principiantes, pois além de fatores internos pessoais também existem influências externas que podem dificultar a iluminação nesse processo.

Para atingir a verdadeira meditação, a proposta ateniense envolve pelo menos sete etapas de desenvolvimento da concentração mental, que visam despertar gradativamente a consciência para a prática meditativa. A terceira etapa, hoje em questão, trata da relação da personalidade com o Ego Superior (ou simplesmente “Ego”), o que requer alguns esclarecimentos prévios.

Primeiramente, precisamos saber que durante a meditação, por vezes, é possível atrair a atenção do Ego; mas isso não é o recomendado para quem almeja realizar a verdadeira meditação. O caminho mais indicado não é interromper o Ego para atrair sua atenção ao inferior, mas sim buscar elevar-se para participar da atividade superior.

Em nossa época muitas pessoas mostram uma considerável oposição entre personalidade e Ego. O canal entre o Ego e a personalidade não está sempre aberto. Aí a importância da meditação que, quando conscientemente feita, abre o canal e o mantém aberto.

A meditação e o estudo de temas espirituais durante a vida terrestre são muito importantes para a vida do Ego. À proporção que progredimos, tornamo-nos capazes de unir nossa consciência pessoal com a vida do Ego - até onde for possível - criando, assim, uma consciência única que nos acompanha até mesmo aqui embaixo, e, desse modo, o Ego sabe tudo o que está acontecendo.

As pessoas que não possuem um interesse mais sério pelos assuntos espirituais mostram apenas um fio de ligação entre o Eu Superior e Inferior. A personalidade parece ser tudo, e o Ego, apesar de continuar existindo em seu plano, não apresenta praticamente atividade alguma, fica adormecido, tal como um pinto dentro de um ovo. Todavia, para os que se esforçam na direção correta, o Ego passa a desenvolver uma consciência vívida, pois quebra sua casca e começa a ter muita atividade e poder, nos mais diversos planos.

Essas questões é que caracterizam a terceira consciência meditativa de que tratamos. Devemos ter sempre em mente que a meditação física não se destina ao Ego, mas ao treinamento dos veículos inferiores, para que lhe sirvam de canal, visto que é este o propósito próprio do Ego, tornar-se plenamente ativo em todos os planos, inclusive no físico.

Boa semana e até breve!

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