O Mito do Saci-Pererê
Sexta, 30 de Outubro de 2015

Dentre as histórias que nos são contadas na infância, muitas delas são profundamente relacionadas à cultura da nossa região. Quando se tratam de narrativas de caráter simbólico, procurando explicar os acontecimentos da vida, os fenômenos naturais ou as origens das coisas por meio de criaturas sobrenaturais, certamente estão associadas aos mitos.

O mito é uma primeira tentativa de explicar a realidade e é muito importante para a formação do ser humano. No mês de outubro sempre relembramos o mito do Saci-Pererê, ser mitológico do folclore brasileiro, que tem sua origem presumida entre os indígenas da região das Missões, no Sul do nosso país, e que nos apresenta uma importante mensagem.

O Saci-Pererê surgiu como um ser brincalhão que se divertia com os animais e pessoas, fazendo pequenas travessuras que criavam dificuldades domésticas. Fazia tranças nos cabelos dos animais, depois de deixá-los cansados com correrias; fazia as cozinheiras queimarem as comidas e fazia os viajantes se perderem nas estradas, assustando-os durante a noite com seus assobios bastante agudos e impossíveis de serem localizados.
O primeiro escritor a se voltar para a figura do Saci-Pererê foi Monteiro Lobato, que realizou uma pesquisa entre os leitores do jornal O Estado de São Paulo. Com o título de "Mitologia Brasílica - Inquérito sobre o Saci-Pererê", Lobato colheu respostas dos leitores do jornal que narravam as versões do mito, no ano de 1917. O resultado foi a publicação, no ano seguinte, da obra “Saci-Pererê: resultado de um inquérito”, primeiro livro do escritor.

Com a transposição dos textos de Lobato para a Televisão, o Saci deixou o imaginário para ser personificado numa figura de carne e osso. Na sua versão atual, verifica-se a herança do pito (uma espécie de cachimbo) da cultura africana e o píleo (um gorrinho vermelho) da mitologia europeia.

O mito nos conta que a missão do Saci-Pererê é controlar e manusear tudo o que está relacionado às plantas medicinais. Ele é o guardião das sabedorias e técnicas de preparo e uso de chá, mezinhas, beberagens e outros medicamentos feitos a partir de plantas. Por isso, ele costuma confundir as pessoas que não lhe pedem a autorização para a coleta dessas ervas.

Fica evidente a mensagem que existe por trás deste mito: quem não respeita a natureza acaba sofrendo consequências desastrosas por tal descomedimento. Os povos antigos pediam permissão para arrancar uma folha ou uma raiz de alguma árvore para fazer chás ou medicamentos. Hoje, o homem destrói matas e florestas, trocando bosques por caixas de concreto, nascentes d’água por estradas asfaltadas, achando que tudo deve ser subjugado aos seus interesses pessoais.

Para quem ainda não se deu conta, as travessuras do Saci continuam a existir na atualidade, podendo ser ainda piores no futuro. São estes climas desregulados, enchentes, secas e outras consequências naturais que acontecem como resposta às agressões que o homem faz ao meio ambiente.

Antes mesmo de pensar em Halloween, saibamos que o dia 31 de outubro é o dia do Saci-Pererê, figura do folclore brasileiro, muito mais original e significativo para a nossa cultura e tradição!
 

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