A Ação e o Conhecimento
Sexta, 27 de Novembro de 2015

Talvez uma das maiores lições que se pode ter na vida é a relativa à diferenciação entre a ação e o conhecimento. E nada melhor do que a filosofia indiana para nos esclarecer a essência dessa diferenciação.

No “Bhagavad Gîtâ” - escritura sagrada que contém a essência do conhecimento védico da Índia e um dos maiores clássicos de filosofia e espiritualidade do mundo - há um capítulo que trata sobre a questão da comparação entre a ação e o conhecimento. A questão se desenrola através de um esplêndido diálogo entre Krishna e seu discípulo guerreiro Arjuna, em pleno campo de batalha, instantes antes de se iniciar o conflito. É importante se ressaltar que nessa história Arjuna representa o papel de uma alma confusa sobre o seu dever e Krishna representa a divindade que instrui essa alma quanto aos preceitos da ciência da autorrealização que é atingida através do serviço devocional e da prática da Yoga.

Pois bem, em um momento inicial do diálogo, Krishna diz a seu discípulo:
- Saiba, meu caro Arjuna, que a ação é muito inferior ao yoga do discernimento. Assim, pois, refugia-te na razão pura.

Arjuna não esquece tal ensinamento, de modo que a primeira coisa que pergunta a seu mestre, quando este o estimula a guerrear mais tarde, é:
- Se dizes que o conhecimento é superior à ação, por que então me incitas a esta luta tão terrível?

Ao que Krishna responde:
- Sim, o conhecimento é superior à ação; porém, só pode atingir o conhecimento o homem que tenha conseguido dominar seus sentidos plenamente: o Sábio Altruísta, o Perfeito. Só ele pode trilhar o caminho do conhecimento, porque este é o caminho da ação superada, onde se radicam aqueles destinados a impulsionar o eixo das coisas. Não é menos ação, senão que outra forma de ação.

Com essas palavras, Krishna esclarece que, mesmo que o conhecimento esteja acima da ação, nem por isso evadindo-¬nos da mesma chegaremos ao conhecimento. É preciso realmente agir, sair da inércia, tornar-se ativo. O “fazer” faz parte do “dever” da alma humana. O ser humano deve enfrentar os desafios de sua vida através da prática, do trabalho, da ação, de forma a dominar todos os seus sentidos, suas emoções e seus pensamentos. Só depois de um longo caminho de ação é que chegará ao conhecimento pleno das coisas desse mundo.

Dito de outra maneira, significa que qualquer teoria só será verdadeiramente vislumbrada e vivenciada após percorrermos todas as vias práticas experimentais previstas por ela mesma. E quando chegarmos ao destino final, ao campo da sabedoria plena, perceberemos que o conhecimento não se trata de algo estático e monótono, mas sim que se caracteriza por ser uma outra forma de ação.

A mensagem de Krishna é bem clara: ninguém neste universo deve permanece inativo. Mesmo que o “fazer” seja sempre mais difícil e menos estimulante que o “pensar em fazer”, a escolha deverá ser sempre pela atividade.

Então, boa prática a todos! Mãos à obra neste novo ano que se aproxima!

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