Educação Política
Sexta, 04 de Dezembro de 2015

Volta e meia as notícias no Brasil e no mundo são sobre corrupções políticas e governamentais. Por mais que pareçam cíclicas, a corrupção não tem intervalos. É que noticiar todos os dias a mesma polêmica seria cansativo, e “não venderia jornal”, no dito popular.

Desconsiderando os “teatros”, que muitas vezes são montados para ludibriar o povo e causar uma falsa impressão de que as providências estão sendo tomadas, existem sim, ao longo da história do combate à corrupção, dois processos mais destacados de caráter corretivo, desencadeados pelos responsáveis em buscar o restabelecimento da ordem e da justiça para esses casos.

O primeiro deles caracteriza-se exclusivamente pela “ação voltada à punição dos culpados”, associada às sanções legais e reparações cabidas em razão dos danos causados. O segundo processo, apesar de também se caracterizar pela aplicação das punições dos culpados, possui um foco totalmente deslocado para o “estudo das causas” que provocaram o desvio de conduta por parte dos agentes corruptores. Conhecendo verdadeiramente as causas da corrupção, e não se contentando apenas com a punição dos culpados, neste segundo processo corretivo são desencadeadas ações de prevenção das contravenções para que no futuro não existam infratores. Pitágoras resumia bem esta situação em uma belíssima frase: “educai as crianças e não precisarás punir os homens”.

Nos atropelos e precipitações dos tempos atuais, com ânimos imediatistas imperando os corações e mentes dos homens que se dizem modernos, obviamente temos assistido quase que exclusivamente e apenas ao desenrolar do primeiro processo corretivo, se é que o mesmo aconteça! Isto tudo ocorre certamente porque uma “educação política” pautada pelo senso de perenidade tem faltado em nossas escolas. É esta educação que pacientemente todos os anos resgatamos nos cursos de sociopolítica da ACA.

Sábias foram as palavras da filósofa russa do século XIX, Helena Petrovna Blavatsky, ao responder à pergunta de um repórter se ela tinha interesse em se ocupar da política, além da educação com a qual já trabalhava:

“Tentar reformas políticas antes de concluir uma reforma na natureza humana é o mesmo que botar vinho novo em odres velhos. Se conseguirmos fazer com que os homens sintam e reconheçam do fundo de seu coração seu real e verdadeiro dever para com todos os semelhantes, desaparecerá, naturalmente, todo o antigo abuso de poder, toda lei iníqua da política nacional, fundamentada no egoísmo humano, social ou político. O jardineiro que, desejando extirpar as plantas venenosas de seu canteiro de flores, se as corta ao invés de arrancá-las pela raiz, é um louco. Não se pode alcançar jamais nenhuma reforma política duradoura com os mesmos homens egoístas à frente dos assuntos.”

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