A Medicina Tradicional Chinesa I
Sexta, 11 de Dezembro de 2015

É inegável o clima de perturbação energética, emocional e psicológica instaurado em nosso país nestes últimos tempos. Quando a moral e os bons costumes decaem por interesses mesquinhos e egoístas dos líderes governamentais e de boa parte da população, a nação toda passa a sofrer na própria carne os efeitos resultantes desses abalos: aumentam os números de doenças e de epidemias que acabam atingindo grande parcela da população. Essa preocupação é suficiente para abordarmos na coluna de hoje a sapiência dos registros médicos mais antigos que conhecemos na atualidade, gravados em forma de inscrições, pelos chineses, há mais de 5 mil anos em cascos de tartarugas e ossos. Talvez o leitor esteja acostumado a pensar na medicina somente pelo seu caráter corretivo. Mas na sutileza de seus princípios milenares veremos o quanto ela tem valor pelo seu caráter preventivo.

No ano de 2695 a.C., os princípios terapêuticos da Medicina Tradicional Chinesa já eram conhecidos através do Livro do Imperador Amarelo. Tais princípios continuam válidos até hoje devido às suas essencialidades:

I) Estar em harmonia com a natureza
II) Cultivar emoções saudáveis
III) Permitir o fluxo equilibrado da energia no corpo.

Diferente da nossa medicina ocidental, a ciência médica oriental é holística. Isso significa que ela vislumbra o ser humano como um todo, não considerando apenas o seu corpo físico, mas a união do seu corpo com sua mente e seu espírito, relacionando-se com o meio ambiente que o cerca. Por essa razão, considera que o indivíduo saudável e a sociedade saudável são partes integrantes do cosmos, sendo a doença uma “desarmonia no nível individual ou social”.

Para os chineses, tanto a saúde como a doença são coisas naturais, resultantes de um processo contínuo de adaptação do organismo a um meio ambiente que é muito inconstante, mutável. Daí para a medicina tradicional chinesa, a saúde perfeita não chega a ser um objetivo essencial, visto que a doença é praticamente inevitável no processo vital, pois é uma forma de expressão dos nossos conflitos, sofrimentos e dificuldades de adaptação ao meio em que vivemos.

O objetivo básico da medicina tradicional chinesa é conduzir os indivíduos a uma “melhor adaptação dentro de seus meio ambientes”. Para tal, mais do que tratar órgãos físicos e sintomas diagnosticáveis, busca verificar quais são os padrões energéticos e elementos da natureza que atuam no indivíduo. Vai a fundo para tentar descobrir em que pontos a energia Ch’i está bloqueada e quais emoções estão desequilibrando sua saúde.

Existem diversas técnicas e práticas da medicina tradicional chinesa, acumuladas durante todos esses anos, que conduzem a uma melhor manutenção da saúde, um maior prolongamento da vida e a cura das aflições físicas e emocionais. Mas isso é assunto para a próxima coluna. Por hoje, fiquemos com o tesouro desvelado pela essência de seus princípios.

Boa semana!

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