Os três caminhos para a Paz (II)
Sexta, 26 de Fevereiro de 2016

Bom dia caro leitor! Na semana passada enunciamos três caminhos para se encontrar a Paz: desapegar-se dos objetos dos sentidos, não se importar com os resultados e meditar de forma sempre renovada sobre o Verdadeiro Eu. E, como prometido, hoje vamos discorrer sobre eles tentando elucidar como se deve trilhar por estas vias.

Como nos explica a teosofista Annie Besant, para se desapegar dos objetos dos sentidos é indispensável a autodisciplina constante e sábia. Deve-se começar com a prática da indiferença aos pequenos desconfortos, aos prazeres da mesa, às diversões físicas, suportando-se os acontecimentos exteriores com uma tolerância bem-humorada, sem cortejar nem afastar os pequenos prazeres e dores. Gradualmente, sem nos tornarmos inconscientes ou melancólicos, vamos ficando indiferentes aos pequenos problemas que costumam perturbar a maioria das pessoas no cotidiano. Devemos, em suma, seguir sempre pelo caminho da moderação, evitando-se, sempre que possível, os extremos.

Com relação ao não se importar com os resultados, não significa que não devemos observar os resultados de nossas ações para delas aprendermos como guiar nossos passos. Na verdade, significa que quando uma ação foi feita com o nosso melhor julgamento, força e intentos puros, então devemos deixar que a mesma prossiga, metaforicamente, não nos preocupando com seus resultados. A ação realizada está além da revogação, e nada ganhamos com as preocupações e ansiedades a seu respeito. Quando aparecem os seus resultados, passamos a observá-los para instrução, porém não nos alegramos e tampouco nos lamentamos. O remorso ou a alegria afastam a nossa atenção do desempenho do nosso dever atual, enfraquecendo-nos para realizá-lo.

O terceiro caminho, a meditação, é o mais eficaz e o mais difícil. Precisamos de um esforço constante para perceber nossa identidade com o nosso Eu Verdadeiro, e para nos tornarmos autoconscientes com Ele. “Qualquer objeto para o qual se projeta a mente inconstante deverá ser dominado por Ele, trazido de volta e reintegrado ao Espírito”. É o trabalho de uma vida inteira. Precisamos sempre renovar o esforço e nele persistir pacientemente. É recomendável alguns poucos momentos, em uma hora certa a cada dia, para nos retirarmos em nós mesmos como uma tartaruga em seu casco, lembrando que não somos transitórios, porém eternos, e que os incidentes passageiros não podem nos afetar de modo algum.

Com a expansão gradual desse poder de permanecer “no Eu”, virá não apenas a paz, mas também a sabedoria, porque a ausência de desejos pessoais e o reconhecimento de nossa natureza imortal nos deixam livres para julgarmos todas as coisas sem propensões ou preconceitos.

Giancarlo Cerutti Panosso

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