50 Tons de Cinza
Sexta, 11 de Março de 2016

Para entender o todo, temos que primeiro entender as partes.
Na vida somos desafiados a todo o momento. A única coisa que parece ser automática em nosso cotidiano é a nossa respiração. Inspira... expira... Fora isso, estamos sempre sujeitos a ter de tomar decisões em meio às diversas confusões criadas pela nossa mente que está, por sua vez, sempre lotada de pensamentos.
Pois bem, saber pensar é uma grande virtude, mas será que sabemos pensar corretamente?
Um teste é o suficiente para saber se nossa “cachola” está sendo bem gerenciada ou não. Eu chamaria de “teste da incerteza”. É simples. Basta acompanharmos que tipos de pensamentos surgem quando nos defrontamos com alguma dúvida em nossa vida, em nosso cotidiano. Ou seja, quando surge alguma dúvida em nossa cabeça, será que nossos pensamentos nos conduzem a encontrar uma resposta ou solução ou ficamos com aquela sensação de insegurança quanto ao caminho a ser tomado?
Se a incerteza se mantém, então certamente não estamos gerenciando bem a nossa mente. E o mais perigoso, é capaz dela estar querendo nos gerenciar.
Para comandar a nossa mente, que consequentemente implica em ordenar nossos pensamentos, devemos usar a razão.
Mas como se faz para ordenar os pensamentos de forma racional?
Bom, isso requer uma prática que, a princípio, deveria ser realizada desde nossa infância, incentivada obviamente por nossos pais e professores.
Já ao nascermos, somos obrigados a nos confrontar com uma enorme complexidade de mundo. A primeira saída instintiva que encontramos para decifrá-lo a fim de viver melhor e não sermos surpreendidos com situações desagradáveis é a analogia. Através do exemplo e da imitação vamos aprendendo a nos defender. Mas isso os animais também o fazem. O que diferencia o homem dos animais é a sua capacidade de raciocinar e o pensamento racional se constrói pela análise que naturalmente buscamos fazer para entender o todo.
Assim, uma segunda saída que encontramos para decifrar esse mundo tão complexo é a identificação da dualidade, que muitos classificam de opostos. Desde nossa mais tenra idade já identificamos a dualidade através da percepção de calor e frio, fome e saciedade, claro e escuro, dia e noite, branco e preto, seco e molhado, pai e mãe etc. É aí que nasce o pensamento binário, dual, capaz de embasar todo o nosso pensamento racional.
A situação mais simples do pensamento racional se estabelece pelo sim ou não, pelo pensamento binário (0 ou 1), sem meio termo. É o caso da mulher que está ou não está grávida. Não existe o meio grávida. E assim podemos exercitar da forma mais básica a nossa razão, inclusive quando nos encontramos sob alguma dúvida cruel. Por mais que o mais indicado seja viver afastado dos extremos, muitas vezes em que o caminho se revela bifurcado devemos optar pelo oito ou oitenta.
O mais interessante é que através desta prática do pensamento binário é que se chega, sim, ao caminho do meio, ou então à diversidade. Para exemplificar, vamos usar o caso da dualidade branco e preto. Considerando que tivéssemos gotas unitárias das tintas branca e preta, ao misturarmos as duas (ao invés de optar apenas por uma) obtemos o cinza, que é uma terceira possibilidade do mundo complexo em que vivemos. E se quisermos outras tonalidades de cinza, é só misturamos, por exemplo, duas gotas de branco a uma gota de preto, ou três gotas de branco a duas de preto, e assim por diante. Pois agora fica mais fácil ao leitor entender como a informática - construída sobre a base binária - cada vez mais está sendo capaz de representar o nosso mundo real da forma diversa e virtual.

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