A Sétima Consciência Meditativa
Sexta, 12 de Agosto de 2016

Chegamos à sétima etapa preliminar da meditação ateniense. Nas seis etapas anteriores, compreendemos o verdadeiro sentido da meditação, vimos que nem sempre atingimos altíssimo nível de êxtase, que ela se destina à nossa personalidade e que grandes emoções advindas do mundo búdico podem se refletir no nosso corpo astral. Também observamos propósitos específicos para a meditação e descobrimos que ela não é limitada nem pelo tempo nem pelo espaço.

Hoje, encerrando a fase preparatória, caminharemos pela última trilha que conduz à prática da meditação.

A sétima consciência meditativa envolve o despertar final de preparação para se iniciar a viagem rumo ao próprio mundo interior. Sucintamente, exige uma sequência de acomodações e adaptações finais por parte do praticante, que deve realizar as seguintes ações:

a) Regular o corpo físico e afastar os sentidos da visão e dos sons externos.

b) Regular a respiração e tornar-se insensível aos pensamentos dos outros e às emoções externas.

c) Buscar a Vontade e a Concentração para dominar as perturbações mentais internas.

Uma vez realizadas, essas ações permitirão ao praticante mergulhar na essência de sua espiritualidade, de forma meditativa. Obviamente, as técnicas para a execução desses passos não cabem em detalhes aqui nesta limitada coluna, e por isso são apresentadas com mais propriedade aos interessados durante as práticas meditativas que ocorrem regularmente na sede da ACA.

O importante é que, estabelecendo estes sete passos preliminares ou, dito de outra maneira, ativando as sete consciências meditativas, tornamo-nos mais aptos a trilhar o caminho que conduz a escutar “A Voz do Silêncio”, a voz do nosso ser espiritual. Como nos adianta madame Blavatsky:

“Quem quiser ouvir a voz do Nâda, o Som Insonoro, e compreendê-la, tem de aprender a natureza de Dhâranâ*...

... Antes que a Alma possa ver, deve ser alcançada a harmonia interior, e os olhos carnais tornados cegos a toda ilusão...

... Antes que a alma possa ouvir, a imagem (o homem) tem de se tornar tão surda aos rugidos como aos murmúrios, tanto aos bramidos dos elefantes furiosos (o fracasso, a dor, a calúnia, as baixas paixões humanas) quanto ao argênteo zumbir do pirilampo de ouro (o afago, o elogio, o êxito etc.).”

* Dhâranâ é a concentração da mente, feita com toda perfeição, em algum objeto interno e em completa abstração do universo externo, o mundo dos sentidos; concentração do veículo mental no espiritual. É para aprender a natureza de Dhâranâ que desenvolvemos todas as sete etapas preliminares da meditação ateniense. E, uma vez atingido o Dhâranâ, seguiremos avançando para realizar os estágios seguintes: Dhyana, que é um dos estados de maior perfeição espiritual na virtude de ter exercido um preciso e exato controle da mente, e Samadhi, que é a perfeita “posse de si mesmo”, estágio daquele que chega ao final de sua evolução terrestre.

Namastê!

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