Unidos ou Partidos?
Sexta, 19 de Agosto de 2016

Pois bem, caro leitor, viveremos mais um momento de campanha eleitoral. Toda a intensa movimentação política partidária deveria provocar o despertar dos brios de cidadania. Entretanto, sabemos que não é bem isto o que acontece. Nesta hora, muitos acabam colocando em jogo seus interesses pessoais ou, no máximo, partidários, em detrimento dos interesses da cidade e da comunidade que a compõe. E o que acaba sendo despertado é nada mais nada menos que um “instinto de competição” que diz que deve haver, de um lado, vitoriosos, e do outro, derrotados. Os mais sedentos e envolvidos no processo de campanha partidária não conseguem ver de outra forma a não ser esta. Suas emoções acabam comandando suas personalidades e o processo político acaba consequentemente se desvirtuando.

Caberia lançarmos um questionamento quase que revolucionário neste momento: será que a palavra institucionalizada como “partido” não acaba afastando o caráter de “união”, “cooperação” e “harmonização” que deveria existir para o “bem comum” da sociedade nos processos políticos eleitorais e governamentais? Ora, podem chamar de utopia a ideia de um senso comum entre os cidadãos, pautado por critérios de ética, justiça, responsabilidade, experiência e honestidade - alguns alegam que a unanimidade é burra - mas o “ideal democrático” proposto nos primórdios da democracia grega tinha sua base fundamentada no que realmente era melhor para toda a cidade e seus cidadãos, sem buscar a exclusividade para segmentos “partidários” dela.

A existência de partidos políticos, de situação e de oposição, de interesses completamente discordantes, de benefícios de uns em detrimento de outros, surgiu justamente pela incompetência humana em gerir e encontrar a harmonia e a unidade dentro da diversidade natural da sociedade. O caminho tomado então foi o do “mais fácil”, em que falsas coligações se fortalecem enquanto se sustenta e se vislumbra um inimigo em comum. Só que as consequências disto todos já sabemos quais são.

O caminho mais difícil será sempre, sim, o da “união” (justa, crítica, compromissada e responsável, obviamente). Mas é por aí que se obtém êxito, com muito esforço e trabalho, com espírito de colaboração e cooperação plena, visando verdadeiros benefícios para toda a sociedade.

Até que esta conscientização não chegue à grande maioria dos cidadãos, o que podemos esperar numa próxima instância é que o exercício de cidadania não se restrinja apenas à votação em eleições. Mais necessário é o acompanhamento e cobrança de atitudes aos nossos representantes em relação aos anseios da sociedade, durante todo o período em que eles estiverem legitimados a nos representar.

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