Liceu Cultural (parte 2)
Sexta, 03 de Fevereiro de 2017

Para liderar uma sociedade, é preciso primeiro tornar-se cidadão. Platão era um que dizia: o “status” de cidadão (ser consciente dentro do Estado) não se obtém pelo simples nascimento, mas sim pela constatação de suficientes aptidões intelectuais e morais. Somente o verdadeiro cidadão pode aspirar a cargos públicos e aos mais altos desígnios, pois apresenta suficiente experiência filosófico-política e indiscutível dignidade para liderar a si mesmo e aos demais.

Os princípios morais e éticos da boa convivência não representam novidades ao homem contemporâneo. A História é capaz de revelar-nos grandes ensinamentos, através dos quais podemos avançar no tempo e evoluir ainda mais como seres humanos a partir da análise das experiências já deflagradas que nos apontam caminhos mais harmoniosos para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Isto não poderia ser diferente com a História das Artes e das Ciências.

No Antigo Egito, a preocupação de ensinar geometria e aritmética às crianças era sinal de preocupação social. Os gregos, inspirados neste contexto, adotaram o mesmo procedimento para a formação de seus cidadãos. No despertar da Idade Média, o ocidente voltou-se exclusivamente aos ensinos religiosos. A partir do século V, com o triunfo dos bárbaros na Europa, o ensino nas escolas passou a ter caráter essencialmente religioso, pautado na Bíblia. Os mosteiros passaram a ser os centros de cultura, sendo que nesta época surgem os registros das primeiras práticas da “leitura silenciosa” que até então não era praticada. O aprendizado era relacionado às chamadas Sete Artes Liberais: Gramática, Retórica e Dialética (que compunham o Trivium) e Aritmética, Geometria, Música e Astronomia (que compunham o Quadrivium). Sendo assim, o centro de desenvolvimento acabou se deslocando para o Oriente durante a Idade Média.

Apesar de todo o legado histórico de evoluções e revoluções no campo das artes e ciências, o contexto que se apresenta atualmente é o de uma grande maioria da população mundial não ter verdadeiro ensinamento que possibilite o desempenho da cidadania em seu sentido mais essencial possível, o de “cuidar da cidade”. Faltam modelos e valores associados à educação que evidenciem amplamente seu caráter utilitário, cultural, formativo, sociológico, econômico, político e estético.

A formação cultural de um indivíduo está atribulada a um complexo processo familiar e escolar de longa duração, que muitas vezes não dá conta dos ensinamentos essenciais para o despertar das virtudes humanas que permitem a boa convivência em sociedade, evitando preconceitos e discriminações descabidas para uma época de tantas possibilidades.

Conscientes dessa realidade, sabemos o quanto de trabalho temos pela frente! E a motivação maior ainda revelaremos nas próximas colunas. Acompanhe!
Boa semana!

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