Deus é ateu?
Sexta, 07 de Abril de 2017

Hoje vamos reproduzir aqui um interessante texto do colega Hélio Walhbrinck, voluntário ateniense que nos lançou um intrigante questionamento essa semana! Boa leitura!


“Autoconhecimento é questão chave para qualquer humano que almeja superar-se. Nesse caminho, o homem, para conhecer-se, precisa, antes de mais nada, colocar-se em marcha junto aos seus, mais do que voltar o seu olhar para o próprio umbigo. A autenticidade do humano e sua pujança está em ser junto aos outros: o fenômeno humano – mulher e homem – é sempre um fenômeno coletivo de empoderamento.

Sendo fenômeno, em marcha histórica, o ser humano necessita descrever-se junto aos seus e seu meio para empoderar-se de si mesmo, para tomar conta de si, ‘mexer com seus botões’. Para descrever-se ou se descobrir como fenômeno, necessita, imperiosamente, construir as diferentes formas de linguagem: para perceber, descrever seu fenomenar, não há ser humano sem linguagem elaborada, que conheça o empoderamento no sentido da superação da miséria humana.

Quando o homem descobre que conhece a linguagem, no entanto, descobre que a linguagem nem tudo cobre. Ela é apenas o balbuciar sobre o seu fenomenar e, por isso, não pode parar nunca de se elaborar junto aos seus. Talvez a linguagem artística, como pintura, música, dança, teatro, poética, sejam linguagens mais densas para falar da superação humana.

Antes de falar Deus em prosa e verso, necessário é falar do homem para, então, intuir, apenas intuir Deus, que é ateu, descrente, não atende mediante qualquer tipo de codificação dogmática e com cheiro de mofo, fora da história, fora das nossas alegrias e dores de todos os dias. Por falar em Deus ateu, poderíamos pensar que isto seria muito mais infinitamente complexo do que usar a linguagem como ferramenta do autoconhecimento humano, mas eu diria que nós não concebemos Deus. Deus nos concebe sempre novos na história. Nós concebemos a história e, nisso, somos divinos. Portanto, para falarmos em Deus, necessitamos, antes, falar do homem como fenômeno: de onde ele vem e para onde ele vai, tanto para diminuir como para aumentar o ateísmo de Deus.

Talvez o mais importante que se queira cogitar nesse textículo é sobre qual seja a importância que estamos dando para as diferentes formas de linguagem em nossa vida e na vida de nossos filhos e filhas. Qual é o espaço que nossa sociedade dá para as diferentes formas de linguagem, especialmente a artística, para que homens e mulheres, especialmente de nossa região, possam brilhar mais numa demonstração de empoderamento?

Vale refletir: Por que continuamos sendo uma das regiões mais pobres do RS? Será que Deus deixou de ser ateu em nosso meio?”

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