O Sentido da Páscoa
Quinta, 13 de Abril de 2017

É impossível não se perguntar sobre a magia da Lua Cheia e seu significado exatamente neste período que antecede a Páscoa. Pois aí está: ano a ano, a definição da data da Páscoa é feita com base no primeiro domingo após a primeira Lua cheia da “Primavera” no Hemisfério Norte, que equivale à primeira Lua cheia do “Outono” para nós que vivemos no Hemisfério Sul. Isso explica a razão de não existir uma data fixa para a Páscoa, pois depende da manifestação da primeira Lua cheia de Outono (para o nosso caso), que pode ocorrer em qualquer dia entre 22 de março e 25 de abril!

O termo “Páscoa”, originalmente, era associado à expressão hebraica “Pessach”, que significa “Passagem”. Hoje, é um termo cheio de significação simbólica e representatividade, em suas mais variadas versões. Para os judeus, por exemplo, comemorar a Páscoa significa comemorar a libertação da escravidão de seus ancestrais que viviam no Egito e conseguiram fugir em busca da terra prometida. Para os pagãos, a Páscoa é a comemoração da “passagem” da estação de Inverno para a Primavera que ocorre nesta época do ano no Hemisfério Norte, num espírito de renascimento da natureza. Para os cristãos, a Páscoa representa a celebração da Ressurreição de Jesus Cristo após sua morte por crucificação, significando também para todos um momento de renascimento em Deus .

Mesmo diante de tão essenciais e suficientes razões que teríamos para celebrar a Páscoa, outros símbolos acabaram sendo agregados a ela ao longo da história da humanidade, principalmente no intuito da comemoração festiva. Os mais destacados em nossa atualidade são o coelho, o ovo, o peixe e o chocolate.

Em relação ao coelho, diz a lenda que a deusa da primavera, Ostera, originária do paganismo, gostava de crianças e por isso acabou transformando um pássaro em uma lebre para brincar com as crianças que estavam ao seu redor. Porém, a lebre queria voltar à sua forma original, mas a deusa só poderia fazer isto novamente na próxima primavera. Quando então chegou este tempo, ela transformou a lebre em pássaro novamente. Ele, por sua vez, agradeceu-a botando alguns ovos. Entretanto, a transformação foi momentânea e o pássaro voltou a ser uma lebre que acabou pintando os ovos e saiu distribuindo-os pelo mundo. Em razão desta lenda, para a celebração da Páscoa os pagãos pintavam ovos de galinhas com símbolos mágicos ou de ouro e os enterravam ou lançavam em uma fogueira. Ao longo da difusão desta tradição pela Europa, confeiteiros franceses decidiram substituir os ovos de galinhas por ovos de chocolate, para que as pessoas começassem a degustá-los ao invés de descartá-los.

Em relação ao peixe, conta-se que tudo iniciou quando o bacalhau foi inserido na cultura cristã para que os fiéis jejuassem da carne “quente” pelo menos uma vez ao ano, antes da Páscoa. O bacalhau era considerado uma carne fria e os portugueses o consumiam como alternativa na época. A tradição veio para o Brasil e na Sexta-Feira Santa tornou-se comum evitar a carne “quente” e substituí-la por bacalhau ou qualquer outro peixe.

Assim, a Páscoa tornou-se atualmente um período de comemoração repleto de símbolos e significações. Passagem, renascimento, ressurreição, mudança de estação, lua cheia, ovo, coelho, peixe, chocolate. Seja qual for o significado, símbolo, crença ou religião, desejamos a todos uma Feliz e Harmoniosa Páscoa, em todos os seus sentidos.

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