O amor e o ódio - parte 1
Sexta, 08 de Setembro de 2017

A sabedoria milenar é reveladora. O homem moderno não dá atenção ao que a humanidade já conquistou no passado através da filosofia e da experiência transcendental, mas a cada dia a ciência vem confirmando tudo o que já se sabia e se dizia.

Uma das últimas “revelações” da ciência está relacionada ao amor e ao ódio. Os cientistas tentam desvendar de onde vem o ódio, já que o amor supostamente viria do coração... Os pesquisadores desta área estão à procura dos fundamentos neurológicos do ódio, tal como da música, da religião, da ironia e de outros conceitos abstratos. Para sua surpresa, descobriram (através da ressonância magnética funcional - RMf) que a forte emoção de ódio se inicia no cérebro, tal como afirma o neurobiólogo Semir Zeki, do Laboratório de Neurobiologia da University College London. Um dos resultados que sua equipe obteve foi o de que as áreas do cérebro que são ativadas quando as pessoas olham para pessoas que amam ou odeiam são exatamente as mesmas. Ainda mais, que o ódio pode surgir de sentimentos positivos, como o amor romântico, na figura de um ex-parceiro ou rival em potencial.

Mesmo que este estudo inicial ainda não tenha convencido a comunidade científica, algum dia isto irá acontecer. A certeza que temos baseia-se no legado de ensinamentos deixados por muitos mestres da sabedoria milenar. Entre eles encontra-se a inglesa Annie Besant, explicando que para entender a relação entre amor e ódio, devemos observar seus “princípios e definições”.

Imaginemos que o desejo tenha duas expressões principais: “atração” para possuir ou pôr-se em contato com um objeto que de antemão proporcionou prazer, e “repulsão” para repelir ou evitar o contato com um objeto que previamente infligiu a dor. A atração e a repulsão são duas modalidades do desejo que “domina” o Eu.

Como a emoção é o desejo misturado com o intelecto, inevitavelmente tem de oferecer a mesma divisão em duas modalidades. Assim, chama-se “amor” a emoção de índole atrativa que prazerosamente une dois objetos. É a energia integrante do universo! E chama-se “ódio” a emoção de índole repulsiva que dolorosamente separa dois objetos. É a energia desintegrante do universo. Tais são os dois troncos da raiz do desejo e deles brotam, como ramos, todas as emoções.

Disto deriva a identidade das características do desejo e da emoção. O amor almeja atrair o objeto atrativo ou vai em busca dele para unir-se a ele ou ser por ele possuído. Tal como o desejo, liga com laços de prazer e felicidade. De igual maneira, o ódio procura eliminar de si o objeto repulsivo, ou foge para apartar-se dele, e repeli-lo ou ser repelido por ele. Separa pela dor e infelicidade. Tem a mesma essência do desejo repulsivo.

Em suma, o amor e o ódio são formas elaboradas e intelectivas dos desejos elementares de possuir e afastar...

Continuamos na semana que vem!

Comentários