A Matemática Sem Números
Sexta, 21 de Fevereiro de 2014

Seria possível uma matemática sem números?

Automaticamente a maioria de nós responderia que não, pois sempre aprendemos que a matemática é a ciência que se fundamenta em números e nas relações entre eles!

Mas e se a matemática não envolvesse números, seria ela tão assustadora a tantas pessoas que dizem ter aversão a esta matéria?

Quem poderia saber...

Alguns alegariam que sem os números ela propriamente deixaria de existir, de ser matemática!

Pois bem! Vamos voltar no tempo e esclarecer uma questão que talvez hoje se apresente como uma surpreendente novidade. 

A palavra “matema”, do grego, significa “ciência”, “conhecimento”, “aprendizagem”. Basicamente, podemos considerar que “matema” tem a ver com “aquilo que se aprende”. Já o sufixo “tica” sem dúvida vem de “techne”, que é a mesma raiz de “arte” e de “técnica”.

Pois a união destes dois termos nos leva a imaginar então que a matemática seria “a arte, ciência ou técnica de explicar, de conhecer e de entender”. O próprio Platão utilizava a palavra “matema” no sentido geral, para qualquer objeto de instrução, por mais que houvesse certa tendência ao longo de suas obras em restringir seu uso ao que hoje propriamente identificamos como “Matemática”.

Ainda mais: a matemática, em sua própria concepção, relacionava-se também a uma permanente procura da verdade.

Pois então, será que diante de todos estes esclarecimentos é justificável dizermos que não gostamos da matemática porque não apreciamos os números em suas múltiplas e intrincadas relações?

Quando entendemos que a matemática não se reduz exclusivamente àqueles problemas técnicos de cálculo que nos são apresentados na escola, passamos a perceber o quanto ela está inserida em nossas vidas, em nosso cotidiano, em nossa busca pelo conhecimento.

Entender a matemática sem números é o requisito básico que deve ser respeitado pelos educadores desta ciência-arte, para que sejam evitadas as aversões, os medos, os desgostos e traumas que tão comumente atingem hoje os nossos aprendizes. É uma questão de justiça e equilíbrio matemático: a educação pautada nas relações humanas deve respeitar a capacidade associativa dos educandos e o ordenamento sequencial e lógico dos conteúdos, para que o aprendizado se dê dentro de uma harmonia natural.

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