Aos pés dos Mestres
Sexta, 07 de Março de 2014

O caminho da religiosidade é um caminho de espiritualidade. A união com Deus exige não apenas uma “crença pautada pela fé” (dogmática ou não), mas também uma “transformação interior humana” que permita revelar mais e mais a essência divina que temos dentro de nós. Por isso, o caminho do autoconhecimento foi sempre indicado pelas escolas filosóficas pela justa razão de que para encontrarmos efetivamente Deus, primeiro devemos nos transformar em semideuses no sentido da manifestação da pureza, da serenidade e da bondade, tanto para consigo mesmo como para com tudo o que existe no universo.

Certamente precisamos de ajuda nesta longa caminhada, pois ainda estamos num estágio evolutivo pré-humano, em que nossas ações são muito mais dirigidas pelas “emoções” egoístas do que pelas “razões” altruístas. A esfinge - símbolo de nossa época - que o diga... 

É neste sentido de ajuda que Deus nos concede então seus filhos (Jesus, Buda, Krishna, Shankaracharya, Manu, Maitreya entre outros), verdadeiros mestres que por amor a humanidade operam em nosso auxílio. A humanidade inteira é assistida por estas almas divinas que preparam o caminho para que um dia cheguemos ao Grande Pai. Mas há um “porém”: tal como dizem no oriente, não são os deuses que vêm até nós, mas nós é que devemos nos elevar até eles.

- Mas como esta elevação poderia ser realizada?

A sabedoria antiga revela que para chegarmos aos pés destes mestres existem quatro vias iniciais, cada uma podendo levar o homem até o começo da Senda do Progresso, ou seja, do caminho que leva até Deus.

A primeira é através do “conhecimento e trato de alguém” que já trilha este caminho. Ou seja, ao observarmos alguém já com profundas experiências do mundo interior, dele nos aproximamos buscando vivenciar ardentemente as mesmas experiências, de forma a também auxiliar o próximo, sem pensar na satisfação pessoal.

A segunda é através da “leitura e audição das grandes verdades” que se encontram nos “livros sagrados”. Nesta via, instintivamente somos despertados e impulsionados a querer aprender tudo sobre o que eles revelam.

A terceira via é pelo “desenvolvimento intelectual”. Embora seja raro, o homem pode aprender alguns dos princípios universais através deste método que envolve a força de um intenso pensar, de um intenso raciocinar.

A quarta via dá-se através da “dilatada prática da virtude”, desenvolvendo a alma pela firme prática da retidão na medida de seus próprios conhecimentos, até que finalmente se receba luz cada vez maior.

Obviamente, o ingresso em alguma dessas vias depende da vontade individual associada ao nível de evolução espiritual de cada um. Independente de qual caminho se escolha, o discípulo que deseja trilhar a Senda do Progresso deve ter em mente que para chegar aos pés de seu mestre deve cumprir com pelo menos três requisitos básicos: o desenvolvimento do caráter, a purificação da vida e a devoção ao serviço. E assim, quando estiver pronto, o mestre aparecerá.

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