Mais que Mandamentos
Sexta, 04 de Abril de 2014

Amigo leitor! Hoje vamos tratar da segunda ideia-base que se apresenta como raiz à nossa organização. Na semana passada, vimos que as duas ideias fundamentais que mereciam esclarecimentos prévios para uma efetiva divulgação dos “Ideais Atenienses” eram: a ideia da “liberdade intelectual” e a ideia de que “para o homem evoluído os Ideais inspiradores são melhores guias do que os Códigos e Leis”. Além disso, destacamos veementemente que ambas as ideias, se bem entendidas e vivenciadas, têm sobre a vida um impressionante poder de elevação e que, caso contrário, se mal compreendidas ou deixadas de lado, causam uma atrofia do crescimento do homem prejudicando o seu próprio progresso. 

Para chegarmos às luzes da segunda ideia-base, de que os Ideais são melhores guias do que os Códigos e Leis, devemos saber que existem duas maneiras distintas de se ensinar moralidade.

Uma delas segue a linha da imposição de mandamentos e proibições: “farás isto e não farás aquilo!”. É uma forma que obriga ou coage o ser humano à obediência de códigos e leis através do uso de punições ou recompensas preestabelecidas, de certa forma muito similar ao método usado no adestramento de animais, por mais que para estes a moral não esteja em questão. Esta maneira de ensinar moralidade tem importância e aplicabilidade adequada para o homem não evoluído, ainda incapacitado de assimilar o ritmo do mundo e o sentido da vida, tal como as crianças em seus primeiros anos de idade. 

A outra forma de ensinar moralidade, por sua vez, alça o Ideal de amor nobre, do sacrifício de si próprio, da pureza e do auxílio, e deixa que estes, pelo seu poder sobre o espírito, instiguem o homem a imitar as vidas nobres a fim de se realizar plenamente. É o exemplo de vida e ensinamento dos grandes mestres.

Forçosamente, cabe ao Estado e a todos os governos laicos empregar a primeira forma. Já a segunda, cabe a todas as Religiões verdadeiras que levam os indivíduos a seguirem uma vida espiritual.

Em nossa associação nos dedicamos muito mais à inspiração de grandes Ideais do que a difusão de alguma crença restrita ou códigos de leis limitados. Entendemos que a razão é um valioso tesouro e não uma simples ilusão, e que a inteligência precisa ser livre para poder investigar os mais variados assuntos. Sabemos que basta ver o Belo, o Bom e o Verdadeiro para que imediatamente passemos a amá-los. Sabemos que a nossa Sociedade é, em essência, uma Sociedade espiritual e que o homem é fundamentalmente divino e não um ser demoníaco. Se um irmão cai, devemos tirá-lo do atoleiro, ajudando-o a sair, ao invés de excluí-lo da Sociedade por imaginarmo-lo indigno do nosso convívio.

Estas ideias-base de “liberdade de pensamento” e de que “os Ideais inspiram mais que os mandamentos” é que nos permitirão desmistificar os “Ideais Atenienses” na próxima semana. Até lá!

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