A Canção de Bernardo
Sexta, 25 de Abril de 2014

                                        (Adaptado do Bhagavad Gîtâ: a Canção do Bem-Aventurado)

 

Hipocrisia, orgulho, arrogância, presunção, cólera, rudeza e ignorância.

Duas espécies de natureza pode-se observar neste mundo humano: a divina ou boa, e a diabólica ou má. 

Os seres iguais aos espíritos maus, não conhecem nem o seu princípio nem o fim; não sabem o que é praticar reta ação e não sabem abster-se de ação má. Neles não há pureza, nem moralidade, nem veracidade. 

Eles dizem que no mundo não há verdade nem justiça; negam a existência do Espírito Divino; acreditam que o mundo é produto do acaso, e que o fim da vida é o gozo material.

E vivem conforme estas ideias errôneas; são gente de intelecto mesquinho, ação desregrada, inimigos da Humanidade e praga do mundo.

É impura a sua vida, porque, pensando que com a morte tudo se acaba, creem que o supremo bem consiste na satisfação de seus desejos.

Enleados nas teias do desejo, entregam-se a volúpia, à ira e à avareza; prostituem as suas mentes e o seu sentimento de justiça, procurando acumular riquezas por meios ilegais, com o fim de terem com que satisfazer os desejos materiais.

Dizem eles: “Hoje obtive isto, e amanhã hei de obter aquilo, conforme o desejo do meu coração. Isto me pertence, e aquilo me pertencerá. A este inimigo derrotei, e àquele derrotarei. Eu sou meu próprio deus, e tudo no mundo há de me servir para meu gozo. Eu sou feliz, forte, poderoso! Eu sou rico e nobre. Onde está outro que me iguale? Distribuirei esmolas entre a população, para que se conheça a minha liberalidade e se espalhe a minha fama!”

Assim os engana a ignorância. E confundidos pelos seus pensamentos e enredados na rede da ilusão, procurando só a satisfação dos seus desejos, precipitam-se no horrendo inferno, que abre suas portas também através da ira e da avareza.

Ímpios, malvados e aborrecedores, os mais vis entre os homens do mundo, alucinando-se de tempos em tempos, mal sabem que se submergem nos mais profundos abismos.

Cabe aos puros de coração e que possuem amor e compaixão para com todos os seres, buscarem resgatar estas almas perdidas que ainda vivem entre nós. O Estado não está organizado e nem apresenta competência para realizar esta tarefa. A realidade é que não existem colônias penais modelos que possibilitem a verdadeira reabilitação dos criminosos. “Apenas condenar não é solucionar” e, além disso, “as cadeias estão cheias” (que rima pobre e lamentável!).

Bernardo, agora, com certeza está numa melhor, bem próximo à sua mãe. Aos culpados, a justiça dos homens tentará fazer a sua parte. É com pensamento e oração que poderemos ajudar. “Guardar raiva será como segurar um carvão em brasa na mão com a intenção de atirá-lo em alguém; nós é que nos queimaremos...”, como dizia Siddhartha Gautama, o Buda.

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