Mãe Gentil
Sexta, 09 de Maio de 2014

O segundo domingo de maio é sempre especial, pois é o dia destinado às nossas queridas mamães! Se o maior anseio do ser humano é amar e ser amado, Deus já nos contemplou com meio caminho andado nesta natureza de vida. Por destino, já nascemos sob a proteção do amor mais puro do mundo, o amor maternal.

Mãe é tudo! Mãe é amor, proteção, carinho, atenção, alegria, aconchego, doação, comida caseira, cobertor no frio, telefonema na madrugada, remédio na hora certa, preocupação. Mãe é Mãe, na melhor definição!

A mãe tem compromisso natural com seu filho, mesmo que seja na mais curta e possível duração, a gestação. Para além dos nove meses, seu continuado amor e proteção deveriam ser uma benção para todos. Sabemos que não é bem assim. Mas deveria! Felizes aqueles que vivem muitos anos sob o amor e a proteção continuada de uma mamãe. Aos demais, quem poderia confortá-los? 

Neste ano de 2014, de copa do mundo aqui no Brasil, de eleições presidenciais, de revelações de escândalos cada vez mais imorais dentro do governo, de revoluções fervilhando nas redes virtuais, de tragédias familiares impactando as esferas nacionais, talvez não consigamos mais desvincular a necessidade individual de um amor e proteção de “mãe natural” da necessidade grupal de atenção e segurança da “mãe maior” de todos os filhos deste país, a pátria esquecida! Num ano em que o nosso hino nacional soará pretenso nos verdes campos de estádios superfaturados que abocanharam investimentos das mais diversas áreas prioritárias de uma nação, talvez não consigamos desligar do nosso pensamento a parte final de sua letra que se destaca pela linha melódica e pela força de entonação que impomos durante a sua execução:

“Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada, Brasil”.

Onde está a confortante mãe gentil? Joaquim Osório Duque Estrada, autor da letra, não quis deixar uma mensagem subliminar para os tempos vindouros. Ele escreveu com uma devoção e clareza imensa que nesta canção símbolo nacional só não entende quem não quer entender. A mãe gentil está adormecida! 

A mãe gentil é a pátria que dá guarida aos filhos de seu solo, desenvolve valores e promove a união. A mãe gentil é a pátria onde o governo dá assistência digna aos filhos famintos, que adoecem ou morrem sem atendimento nas filas dos hospitais, filhos que se desvirtuam pela falta de educação, que se trancafiam em casa pela insegurança total, que trabalham sem descanso para pagar seus impostos e não observam nenhum benefício de contrapartida neste contrato social...

A mãe gentil só pode acordar, existir e revelar seu amor se no país a ordem e o progresso se estabelecerem para o bem de todos, de forma justa e harmonizada, sem lamentáveis articulações que beneficiam apenas os mal-intencionados e os espertalhões. 

Mãe gentil, pátria amada, salve, salve. Teus filhos clamam a tua volta.

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