O Amor e o Ódio (Parte 2)
Sexta, 30 de Maio de 2014

Caro amigo leitor, na semana passada vimos que a emoção é o desejo misturado com o intelecto e que, sendo assim, tem de oferecer a mesma divisão em duas modalidades. Chamamos de “amor” à emoção de índole atrativa que prazerosamente une dois objetos e de “ódio” à emoção de índole repulsiva que dolorosamente separa dois objetos.

O amor almeja atrair o objeto atrativo ou vai a busca dele para unir-se a ele ou ser por ele possuído. O ódio procura eliminar de si o objeto repulsivo, ou foge para apartar-se dele, e repeli-lo ou ser repelido por ele. Em suma, o amor e o ódio são formas elaboradas e intelectivas dos desejos elementares de possuir e afastar.

Hoje vamos ver que a “emoção amorosa” pode se manifestar em três formas elementares: a benevolência, a veneração e o mútuo auxílio.

A benevolência é o amor que olha para baixo, para o inferior e para o débil. A veneração, por sua vez, é o amor que olha para cima, para o superior e o forte. A benevolência e a veneração são as formas universais características comuns ao “amor entre superiores e inferiores”. Já nas relações ordinárias entre esposos e irmãos é onde ocorrem as manifestações de “amor entre iguais”. O amor se mostra em mútua ternura e confiança, em consideração, respeito e desejo de comprazer, no esforço de cumprir os gostos alheios, em magnanimidade e doçura. Neste tipo de amor também se encontram os elementos das emoções do amor entre superiores e inferiores, mas com o caráter de reciprocidade nelas impresso. Daí cabe dizer que a característica comum do amor entre iguais é o desejo de “mútuo auxílio”.

Enfim, a benevolência, o mútuo auxílio e a veneração representam as três divisões capitais da emoção de amor, e delas se derivam as demais emoções amorosas, pois todas as relações se resumem nestas três ordens: superior para inferior, de igual para igual e de inferior para superior.

Com a “emoção de ódio” não poderia ser diferente, as relações são da mesma ordem, resultando em outras três divisões capitais que denominaríamos de: menosprezo, medo e mútuo agravo.

O menosprezo é uma emoção de ódio ao inferior. O medo, por sua vez, é emoção de ódio ao superior. Já o ódio entre iguais se manifesta em cólera, hostilidade, desatenção, violência, agressividade, inveja e insolência, ou seja, em qualquer emoção que vise repelir os rivais que se acham frente a frente e não lado a lado. Por isso, a característica comum do ódio entre iguais é de mútuo agravo.

Que o esclarecimento de hoje sirva para que tenhamos mais emoções amorosas que nos vivificam e menos emoções de ódio que nos destroem e nos adoecem. O nosso intelecto tem supremacia sobre nossos desejos e emoções. Esta é a verdade tão bem expressa na mensagem: “mente sã, corpo são”. 

Até semana que vem! 

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