A transformação do ser
Sexta, 27 de Junho de 2014

 

 

Amigo leitor! Dentro da perspectiva filosófica pronunciada aos quatro ventos por Tenzin Gyatso, o atual Dalai Lama, existe sim um caminho de transformação do ser. E transformar o ser implica em conhecê-lo, identificando seu funcionamento a fim de se eliminar os três venenos mentais principais: a ignorância, o desejo e o ódio.

A transformação do ser é importante, pois visa livrá-lo do sofrimento e suas causas. E, até que provem ao contrário, todo ser vivo tem uma aspiração fundamental à felicidade e quer evitar o sofrimento.

A ignorância é o modo de percepção errôneo que afirma a crença na solidez autônoma do eu (egoísta) e dos fenômenos (acontecimentos em si). Por isso, devemos cultivar uma análise profunda das coisas a fim de se obter um antídoto contra este primeiro veneno mental. Combater a ignorância é também combater o sofrimento. A ignorância é a fonte dos venenos e obscurecimentos mentais, e a sabedoria é o antídoto mais seguro para atualizar a ausência de sofrimento. É ela que vai dissipar nossa ignorância fundamental.

Desenvolvendo o altruísmo, o amor, a ternura e a compaixão, reduzem-se o ódio, o desejo e o orgulho. Entretanto, a causa do sofrimento só será eliminada quando nos desapropriarmos e não nos fixarmos mais no eu (egoísta) e nos fenômenos (acontecimentos em si).

Aryadeva, outro sábio oriental, já dizia: “na partida, é preciso abandonar todo ato negativo; no meio, todo apego ao ego; e, no fim, todo extremo, ponto de vista ou conceito”.

Sob o efeito da atração e do desejo, o ser se funde e se liga ao objeto de sua apreensão. O desejo de posse é muito poderoso, ele cristaliza o apego ao eu e ao meu. Muitos não acreditam, mas a verdadeira paz e felicidade só podem se manifestar no momento em que eliminamos nossos desejos, nossas ansiedades.

Sentimos repulsa pelo que nos prejudica e essa repulsa vai se transformar em ódio, depois em desordem do ser, em palavras ofensivas, em violência. Essas emoções negativas são a causa da má saúde.

Estudos médicos mostram que as pessoas que mais utilizam na linguagem da vida corrente a palavra eu, mim ou meu são mais sujeitas do que outras a doenças cardíacas.

Educar nossa vida emocional representa um trabalho de muitas dezenas de anos para remediar sentimentos negativos que se tornaram o estado normal de nosso ser. Pois nunca procuramos saber quem nós somos de verdade.

Encarar a vida de forma positiva é um primeiro passo para a busca da transformação do ser. A alegria, a dignidade e a generosidade são sentimentos positivos que devemos ter no “aqui e agora”, sentimentos que não devem estar relegados a um momento futuro ou a um momento que já passou. Viver o passado é viver em nostalgia, e viver o futuro é viver na ansiedade. O presente é o momento mais adequado para vivenciarmos experiências de paz e felicidade. Então venha vivenciar o momento do 4º Festival Atena, dia 19 de julho, na Escola Cardeal Roncalli! 

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