As Três Preces
Sexta, 01 de Agosto de 2014

Muitas pessoas modernas não mostram simpatia pela prece, pois não conseguem observar a relação de causa e efeito entre a emissão de uma súplica e a realização como acontecimento. Já as pessoas religiosas, ao contrário, dão todo o seu fervor à prece, inundando suas vidas com orações. Entre os extremos, sempre temos os manifestantes intermediários, os agentes centrais, que constituem os verdadeiros laços de união entre as partes que se opõem, e que são testemunhas de que tudo e todos estão ligados e integrados neste universo que é Uno. 

Em uma coluna anterior já havíamos visto que a oração representa um caminho exterior, um ato de ligação, de conversa, de pedido, de agradecimento ou ainda de louvor diante de um ser transcendente ou divino. Orar (ou rezar) nos remete ao mundo exterior, para além de nossa individualidade. Vimos também sua contraparte, a meditação, que por sua vez está associada a uma busca interior, exatamente ao centro de nossa essência. Do latim, “meditare” significa voltar-se para o meio, para o centro, no sentido de se desligar do mundo exterior e voltar a atenção para dentro de si.

Pois a prece pode ser entendida como o laço de união entre a oração e a meditação. Só que ela apresenta gêneros tão diferentes que não poderíamos formar uma só concepção para o caso de seu estudo. Assim, ao invés de sintetizar, preferimos analisar a prece, porque se dá esse nome às mais variadas atividades da consciência.

Para melhor entendimento, poderíamos classificar as preces em, pelo menos, modalidades.

Existem preces que têm por finalidade bens terrestres, particulares, a aquisição de vantagens físicas, como alimentos, roupas, dinheiro, lugares, curas, posições sociais etc. Podemos formar, com estas, uma classe A.

Outras preces estão relacionadas às súplicas de socorro nas horas de dificuldades morais e intelectuais, anseios de desenvolvimento espiritual, domínio nas tentações de compreensão e de luz. Estas formariam uma classe B.

Por fim, existem preces que nada pedem, que se limitam à meditação sobre a Perfeição divina e a uma adoração buscando a proximidade cada vez maior com Deus. Estas preces compreendem o êxtase do místico, a meditação do sábio, o vôo de exaltação do santo. Uma verdadeira comunhão entre o Divino e o Humano cuja essência é a atração mútua. Este gênero de prece formaria uma classe C.

Neste caminho e sob esta perspectiva, vemos que os atos de orar, rezar, meditar e realizar uma prece estão todos interconectados. A classe da súplica ou da manifestação mística vai depender do grau de vontade e desenvolvimento espiritual de cada um, dos anseios e predisposições a que se propõe. O mais importante acima de tudo isso é compreender que, pelo menos através de alguma dessas possibilidades, o homem deve buscar o caminho da paz e da harmonia, em todos os sentidos. 

Nesta próxima terça, dia 5 de agosto, às 20 horas, a Associação Cultural Atena proporcionará à comunidade mais uma sessão de prática da meditação. Os interessados podem reservar uma vaga através do email atenafw@gmail.com ou pelo telefone (55) 9995-3811. Namastê.

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