Sêneca
Sexta, 22 de Agosto de 2014

Hoje vamos entrar no pensamento de Lucio Anneo Sêneca, filósofo chamado de “o Retórico” que viveu na Roma Antiga do início do século 1, sobrevivendo aos reinados dos imperadores Augusto, Tibério, Calígula e Cláudio, mas não resistiu à perseguição do imperador Nero, que o condenou à morte por considerá-lo um obstáculo às suas ambições (como Sêneca podia escolher a forma de sua pena, optou por lhe abrirem as veias em uma banheira com água morna, para sangrar lentamente até a morte diante de um reduzido número de amigos e de sua mulher, Paulina. Só no último momento pediu a cicuta para imitar os antigos gregos).

Entre os dez ensaios filosóficos que deixou como legado - há dois mil anos - destaca-se o intitulado de “A brevidade da Vida”, de onde extraímos o trecho a seguir:

“Todos os homens doutos e vulgares se queixam dos poucos anos que vivem, e de que a morte lhes surpreendeu, geralmente, quando se preparavam para viver. Porém não é tanto a brevidade da vida, mas o muito tempo que desperdiçamos sem realizar nada de bom. É o mesmo que o dinheiro: pouco para quem o dilapida e muito para quem sabe administrá-lo.

Deixamo-nos arrastar por tantas coisas sem valor e fugazes, que o certo é que o quanto realmente vivemos é breve.

Os vícios atrapalham de tal modo que é difícil recobrar-se a si mesmo. Afundam-nos num círculo de males que podemos comprovar naqueles que pior vivem, e pressentimos naqueles que se rodeiam de pompas.

Queixamo-nos de que os demais não nos entendam, ou nos olham com desprezo. Antes de exigir a atenção dos demais, cumprimos acaso com atendermos a nós mesmos? Enchemo-nos de ira cada vez que perdemos ou nos despojam algo que chamamos nossas propriedades. Porém, em verdade, não nos importa perder a mais sagrada propriedade: dividimos nossa Alma entre mil caprichos e desperdiçamos o tempo sem contá-lo, como fazemos com as moedas. 

São contados os dias na vida em que vivemos de acordo a um plano que estabelecemos. Por quê? Por um lado somos temerosos, porque nos cremos mortais, desconhecendo nossa eternidade fora do mundo sensível. 

Essa seria uma razão a mais para regatear o tempo como o mais precioso. Entretanto, o dilapidamos como se dispuséramos de uma bolsa sem fundo. Sempre nos resulta demasiado curto para vivermos bem. Se pensássemos que cada dia pode ser o último, cada dia deveria ser perfeito, e não esperaríamos a velhice, quando já somos inúteis para outra coisa, para fomentar a virtude.

Se cada um soubesse quantos anos lhe restam, seguramente os aproveitaria de outra maneira, porém é mais difícil aproveitá-los sem saber quantos são. De nada vale, neste caso, a prudência que acumula coisas para viver melhor, pensando num futuro, no qual poderemos fazer o que quisermos, futuro que não nos leva ao melhor, e com isso desperdiçamos o presente. A melhor época, o melhor dia, é este que está passando agora mesmo.”

Carpe Diem!

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