Integração Afro-Libanesa
Sexta, 29 de Novembro de 2013

Frederico Westphalen segue seu rumo de desenvolvimento, de evolução cultural e cosmopolitização, graças a Deus, graças aos seus cidadãos.

Lembro que com quatorze anos de idade, nos idos da década de oitenta, resolvi buscar um caminho de conhecimento, estudos e trabalho em cidades de maior porte e interatividade, tal como Santa Maria e Porto Alegre, pois aqui as oportunidades eram ainda diminutas e tímidas para quem desejava se enveredar pelo campo da ciência, da cultura, da engenharia e da aeronáutica. E assim me mudei daqui, até com um sentimento de que seria difícil voltar para cá diante de tantas ambições que eu possuía e das perspectivas gerais que esta cidade apresentava.

Depois de morar por mais de quinze anos fora deste rincão e ter conhecido boa parte do nosso mundo, quis o destino que eu voltasse para cá – de mala e cuia, como diz o gaúcho – com sonhos realizados e outros por realizar. Voltei em novembro de 2003, e nesta década vivenciada novamente por aqui, nesta terra onde nasci e me criei, muitas coisas boas pude apreciar. Coisas que a cada dia que passa me dão mais certeza de que fiz a escolha certa em voltar a morar junto às minhas origens, para passar a contribuir mais do que aproveitar.

Devo citar algumas boas mudanças que percebi, para que entendam o quanto avançamos como município que busca acompanhar o ritmo bom da evolução mundial. Comparando com a situação de três décadas passadas, é admirável que hoje tenhamos por aqui quatro universidades, inclusive com cursos de engenharia inexistentes no passado, além de tantas outras áreas de formação profissional e educacional. Os estabelecimentos comerciais também aumentaram significativamente em número e qualidade. As moradias e construções, nem se fala... As clínicas e unidades de saúde também já são muito mais que uma ou duas que haviam no passado (é claro que quando se fala em segurança e saúde sempre se quer mais e mais, mas mesmo assim tivemos uma significativa evolução). Nas produções agrícolas e industriais, a diversidade também aumentou muito. Mas o ponto aonde eu queria chegar hoje, nesta coluna, é na questão cultural humana, com a qual estamos compromissados enquanto agentes de formação e integração sociocultural.

No último sábado, dia 23 de novembro de 2013, quando realizamos o 5º Jantar Africano, algo muito bom e inédito aconteceu aqui em nosso município. O público que compareceu pôde testemunhar um momento peculiar e emocionante de profundo significado para a nossa população. Neste jantar foi selada uma integração afro-libanesa entre as famílias que há um bom tempo residem por aqui. Estrangeiros que inclusive são pioneiros e fazem parte da história do nosso município, tal como o Sr. Ahmad, o Sr. Mahmoud e a Sra. Kadija Younes. De outro lado, o Sr. Samba Sané e sua esposa Fatumata Silá que também se aquerenciaram por aqui há quase uma década, quem sabe até de forma definitiva para suas vidas.

A Associação Cultural Atena tem consciência que seu trabalho mais desafiador é o de integrar todas as artes e culturas de nossa região. Quanto à questão das etnias, sempre tão peculiares e características, um grande passo foi dado neste ano para que num breve futuro tenhamos uma festividade grandiosa com todos os grupos culturais e famílias representativas deste município: a italiana, a polonesa, a alemã, a libanesa, a africana, a portuguesa, a hispânica, a gaúcha tradicionalista e tantas outras quanto por aqui se afirmarem. Com o apoio de todos, vamos chegar aonde queremos, numa integração cultural amplamente salutar para a nossa população.

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