Liberdade e Voto
Sexta, 24 de Outubro de 2014

Está complicada a questão da liberdade de expressão e manifestação de voto neste período de eleições em nosso país. Por essa razão, é nossa obrigação esclarecer mais profundamente a relação entre estes dois conceitos práticos.

Muitos supõem que a liberdade é o voto, o sufrágio universal direto, exercido a cada período de mandato, a cada quatro anos. Não há equívoco maior! A liberdade e o voto praticamente não têm nada em comum, quando o eleitor mais parece estar passando uma procuração de plenos poderes pelos próximos quatro anos para o seu candidato escolhido, que frequentemente ele nem conhece pessoalmente, e talvez jamais venha a conhecer, pois num distrito muito grande como é o caso do Brasil, a relação direta beira o virtualmente impossível. Por isso, continuamos a insistir que o voto distrital, acompanhado de soberania aos Estados que constituem a Federação Brasileira, é o caminho de liberdade para uma nação.

O voto, em essência, dá poder de fazer leis, para coagir outras pessoas. De maneira alguma dá necessariamente liberdade para nós mesmos, os simples eleitores. A Liberdade, por sua vez, é uma onipotência celeste, forte, beneficente e austera, e nunca se manifesta sobre uma nação pelo grito das multidões, pelos argumentos de paixões desenfreadas, pelo ódio de classes contra classes, de partidos contra partidos, de militantes contra militantes, de cidadãos contra cidadãos. A Liberdade nunca se expressa para assuntos externos até que tenha primeiro sido revelada nos corações dos homens, até que o espírito superior tenha dominado a natureza inferior, das paixões, dos fortes desejos, da ambição de agarrar tudo para si mesmo e pisar sobre os outros.

Somente teremos uma nação em plena liberdade quando tivermos homens e mulheres livres que possam construí-la. Mas nenhum homem ou mulher é livre se está sob o domínio da ganância, da ânsia pelo poder, do vício, da ebriedade ou qualquer forma de mal que seja incapaz de controlar. Somente o autocontrole é o fundamento sobre o qual a liberdade pode ser construída. Sem isso, tem-se a anarquia, não a Liberdade. E cada aumento da presente anarquia é pago pelo preço da felicidade, que é dada em troca.

A liberdade se manifesta somente sobre uma nação na qual cada homem e cada mulher tenham aprendido o autocontrole e o autodomínio. A partir de então, tais homens e mulheres, que são livres, fortes, justos, que governam a sua própria natureza e a treinam para os mais nobres fins, podem construir a liberdade política, que é o resultado da liberdade do indivíduo, e não o resultado dos conflitos das paixões dos homens.

 

Giancarlo Cerutti Panosso

  

 

  

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