MICROBIOTA INTESTINAL (Flora Intestinal) (1ª parte)
Sexta, 23 de Janeiro de 2015

Microbiota intestinal é o nome moderno para flora intestinal que é usado de maneira mais abrangente. Iniciamos este assunto relatando que há cerca de 20 anos os médicos cientistas americanos notaram que certas doenças chamadas inflamatórias como a Retocolite, a Doença de Crohn, que ocorria com frequencia em Nova York apresentava números reduzidos a medida que se analisavam países mais pobres sendo praticamente inexistentes entre os bosquímanos da África ou entre os Indígenas das Américas. Procuraram estabelecer relação com a dieta, com o estresse e alimentos industrializados. Chegaram a uma grande constatação que a grande diferença estava na composição das fezes de ambos os grupos.

O ser humano é um grande depósito de bactérias. Calcula-se que para cada célula de nosso organismo temos dez bactérias. Assunto complexo que para entender vamos voltar no tempo e ver como nosso organismo foi constituído.

Há quatro bilhões de anos surgia a terra. Devido à temperatura e aos raios solares a vida era impossível. Com a redução da temperatura, o surgimento da camada de ozônio e a formação de elementos químicos como o nitrogênio, oxigênio, carbono, enxofre associado ao já existente hidrogênio, formaram-se compostos químicos facilitados pela temperatura da água, regularmente quente.

Os primeiros seres que surgiram foram os unicelulares, bactérias, que possuíam uma molécula de RNA que se automultiplicava por divisão formando outros seres semelhantes. O RNA evoluiu para o DNA que  mais facilmente se replicava. Dois tipos de seres prosperaram: as bactérias e as arqueias que por não ter núcleo celular eram chamadas procariotes. Aos poucos foram surgindo elementos com duas células e o DNA passou a ter uma membrana que o isolava chamado núcleo da células. Eram os eucariotes. Estes evoluíram para seres mais complexos como os animais, as plantas, fungos e tantos outros. Permaneceram, no entanto vestígios de genes das bactérias no núcleo ou em seu citoplasma. 

O nosso DNA tem cerca de cem mil genes, sendo que apenas 23 mil são ativos, produtores de proteínas. Os outros são inativos, sem função definida. Esses poderiam ser provenientes das bactérias obtidos por transmissão horizontal em tempos mais remotos. Nós, homens, somos portanto, seres transgênicos, pois transgenia significa transferência de genes de um ser para outro, no caso, das bactérias antigas para nós homens modernos. Além do DNA do núcleo herdamos das bactérias e dos vírus restos de DNA nas organelas do citoplasma, principalmente nas mitocôndrias e por isto chamado de DNA mitocondrial. O DNA do núcleo é o resultado da soma do DNA do pai e da mãe. O mitocondrial não, e por isto, permite aos cientistas estudarem a origem dos homens. Hoje sabemos que todos os seres humanos existentes no mundo são oriundos de uma só mulher, uma negrinha de 1.50 de altura, que viveu na Etiópia há cerca de mil anos. Como ela é mãe de toda a humanidade é chamada de Eva (referência bíblica) mitocondrial.

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