Microbiota Intestinal- 3ª parte
Sexta, 20 de Fevereiro de 2015

A microbiota intestinal tem influência em outros órgãos fora do sistema digestivo. Vejamos algumas já comprovadas:

ARTERIOSCLEROSE. 

A arteriosclerose é a doença que mais mata no mundo inteiro. Decorre do surgimento de placas nas artérias, ateroma, determinando um endurecimento progressivo das mesmas. São causadas por hipertensão, obesidade, compostos tóxicos do cigarro, níveis elevados de lipoproteinas de baixa densidade (colesterol LDL), radicais livres e reações inflamatórias das artérias causadas por bactérias e outros microorganismos. Desde 1980 tem se relacionado o infarto do miocárdio com doenças periodontais.

Em 2011, Yakoto, demonstrou claramente a relação entre doenças periodontais e arteriosclerose ao encontrar DNA bacteriano presente no periodonto dentro das placas ateromatosas. Outros estudos tem se demonstrado que algumas vezes encontram-se nas placas DNA de bactérias existentes no intestino humano. São estudos preliminares que necessitam maior comprovação para afirmar se os germes intestinais e periodontais são a causa, com fatores ou sua presença é apenas ocasional.

OBESIDADE E DIABETE TIPO II. 

A obesidade e o diabete tipo II tem aumentado em todo o mundo tanto isoladamente como em conjunto das duas doenças. Tem se atribuído a fatores genéticos e ambientais como dietas hipercaloricas e redução de exercícios físicos. A partir de 2004, novo componente tem sido adicionado que é a importância da microbiota intestinal no ganho de peso. Experiências usando animais criados sem germes, comparados com animais com germes intestinais alimentados com mesma dieta, houve ganho de peso nos animais com germes sugerindo que a microbiota possa ter influencia no aproveitamento dos alimentos. 

Outro fator importante surgiu ao administrar determinados germes, que foi uma resistência à insulina induzindo diabete tipo 2  bem como aumento da gordura do fígado determinando esteatose hepática. Estes dados comprovados estão sendo objeto de estudos mais detalhados

MICROBIOTA E SISTEMA NERVOSO.

Estudos têm demonstrado a influência positiva ou negativa da microbiota sobre o Sistema Nervoso. Seu conhecimento vem aumentando à medida que se identificam as diversas maneiras pelas quais o sistema nervoso influencia o intestino e vice versa. Depressão, ansiedade e estresse são influenciados por alterações da microbiota. Estudos em animais mostraram a relação direta entre depressão e inflamação intestinal. Pessoas deprimidas são mais sujeitas à inflamação intestinal e pessoas com inflamação intestinal são mais propensas à depressão.

Estudos em autistas mostrou que a flora intestinal dos portadores desta doença é diferente da das crianças normais. Alguns antibióticos ajudam a prevenir o autismo enquanto que outros o agravam. Estudos futuros das bases celulares, bioquímicas e fisiológicas poderão contribuir para o entendimento da relação bi direcional cérebro-intestino.

Visto a importância que a disbiose causa em todo o organismo, os cientistas estão se debruçando no desenvolvimento de banco de fezes para tratamento das doenças graves.  Os doadores devem ser pessoas saudáveis, de fora do ambiente familiar do receptor, e que não fizeram uso de antibiótico nos últimos três meses.

Culturas de MI saudáveis estão sendo produzidas para combater as disbioses. A criação de bactérias geneticamente modificadas é outro recurso importante que vai viabilizar a criação de vacinas. Por enquanto podemos tratar as disbioses com alimentação saudável e com o uso de probioticos cuja revisão será feita na próxima semana.

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