HEMORRAGIA DIGESTIVA
Sexta, 03 de Janeiro de 2014

Por hemorragia digestiva entende-se a perda de sangue pelo aparelho digestivo. Pode-se manifestar por vômitos com sangue, sangue nas fezes ou simplesmente uma anemia progressiva sem causa aparente, pois perdas repetidas até 40 ml por dia não mudam a cor das fezes.

Vômitos de sangue indicam perda do sangue provinda do estômago ou do esôfago e, eventualmente do pulmão. Quando a perda se dá do duodeno em diante, o sangue será eliminado pelas fezes. Os vômitos podem ser de sangue vivo, hemorragia recente, ou de sangue coagulado indicando que a perda ocorreu há mais de uma hora. Pequenas perdas de sangue vivo após vômitos são comuns e não trazem muita preocupação. Quando, no entanto, o volume for maior deve-se procurar um serviço de urgência uma vez que o sangramento poderá continuar levando a pessoa ao choque e óbito.

As perdas de sangue pelo ânus podem ser de sangue líquido e vermelho, sangue coagulado e violáceo ou ainda fezes escuras e desmanchadas semelhante à geleia de uva. A apresentação das mesmas dependem da origem da hemorragia. Sangue vivo em pequena quantidade costuma provir do ânus causada por hemorroidas ou fissuras anais. São hemorragias limitadas que não preocupam se forem passageiras. Sangue coagulado ou semelhante à geleia de uva deve preocupar, pois usualmente trata-se de perda volumosa que provem do intestino ou de qualquer parte do tubo digestivo. É situação de risco e uma emergência deve ser procurada.

As causas variam desde úlcera, gastrite erosiva, câncer, doenças inflamatórias, doenças sanguíneas por distúrbio de coagulação. Em pessoas de mais de 50 anos uma das causas importantes são sangramentos devidos ao uso de medicamentos. Quando o sangramento se faz de maneira visível é fácil levar a informação ao médico. Difícil é quando a pessoa apresenta fraqueza, palidez progressiva, emagrecimento e desmaios inespecíficos.

Além de um bom exame clínico, o médico deverá realizar exames de laboratório para constatar a anemia e a presença de sangue nas fezes. Quando não se tem a informação precisa inicia-se a investigação adicional por uma endoscopia do estômago, uma vez que 80% dos sangramentos dali provêm. Nada constatado se passa a realizar uma colonoscopia, pois o intestino grosso é a segunda causa de hemorragia digestiva. Tanto a endoscopia alta como a colonoscopia são exames muito eficientes, pois além de diagnosticar a doença podem tratá-la através da coagulação do vaso sangrante. Raramente a hemorragia não é diagnosticada por estes exames, cabendo, então outros exames como a enteroscopia e a cápsula endoscópica.

O tratamento de urgência é a hospitalização e a manutenção do equilíbrio hemodinâmico evitando a morte da pessoa. Em hemorragias digestivas importantes será necessária a reposição de sangue através de transfusão. Após equilibrar o paciente o médico deverá tratar a doença que originou a hemorragia. Com os recursos atuais o tratamento é eficiente e a recuperação muito segura.

            

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