LAPAROSCOPIA DIAGNÓSTICA
Sexta, 02 de Outubro de 2015

No livro de Ezequiel, na Bíblia, há a citação de que o "Senhor criou uma flecha iluminada com a qual penetrou no abdome do Rei da Babilônia e viu o seu fígado". Se confirmada, seria a primeira laparoscopia da história.

Em 1910, o sueco H.C. Jacoebus, utilizando o cistoscópio de Nitze, penetrou no abdome de 11 pacientes com fins diagnósticos. A esse processo chamou de laparoscopia (laparo= abdome e scopia= visualizar).

A partir de então foi grande o desenvolvimento do exame laparoscópico através de aparelhos cada vez mais sofisticados. No início dos anos 60 esse exame era feito em Porto Alegre, sendo o único lugar do Estado que o realizava. Em 1965 importamos um aparelho da empresa Stortz e realizamos a primeira laparoscopia no interior do Estado, no Hospital São Vicente de Paulo.

O exame, que de início era usado para visualizar órgãos intra-abdominais, foi aos poucos permitindo que se colhesse material para exame e mesmo para retirada de lesões. Em 1975, o Dr. Juarez Tarasconi, de Passo Fundo, que fazia laparoscopia para diagnóstico de doenças dos órgãos genitais femininos, realizou uma retirada de trompa, sendo, talvez, a primeira salpingectomia laparoscópica realizada no mundo.

Em 1984, a empresa Welch Allis acoplou o laparoscópio a um monitor, surgindo a videloaparoscopia. Em 1987, Philipe Mouret, na França, realizou a primeira reirada de vesícula biliar da história. A partir de então, a videolaparoscopia serve, além de fazer diagnóstico, para fazer cirurgias complexas como a reirada de estômago, de útero, de intestino e de tantos outros órgãos do abdome. É um procedimento seguro em mãos experientes, com rápida recuperação dos pacientes pois é feito com pequenas incisões que facilmente cicatrizam.

O método migrou para outras áreas da medicina, sendo usado hoje para exames e cirurgias do tórax, do cérebro, de articulações, de vasos sanguíneos, entre outros.

Há alguns anos surgiu na Índia uma variante da cirurgia laparoscópica em que não se faz mais incisão no abdome, mas introduz-se o aparelho por orifícios naturais como a boca, a vagina e o reto. Ainda em estudo, ela é especialmente indicada para mulheres que não desejam ter cicatrizes, embora pequenas, em seu abdome. É chamada de NOTES (natural orifices) e tem um risco de infecção maior do que a videolaparoscopia tradicional. Esse é um fator que limita seu uso.

Uma grande limitação da cirurgia videolaparoscópica é a visão do cirurgião em 2 dimensões enquanto que o corpo humano tem 3 dimensões. Um recurso moderno que corrigiu esta limitação foi a introdução da cirurgia robótica.

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