OVERDIAGNOSIS (Parte 2)
Sexta, 16 de Outubro de 2015

Overdiagnosis é uma palavra para a qual não se encontra uma tradução literal, pois se refere a um diagnóstico estabelecido por exames médicos que não tem importância clínica e que não tem impacto na qualidade e nem na quantidade de vida do paciente. Esses achados conduzem o médico, muitas vezes, a realizar outros exames e tratamentos desnecessários, colocando a saúde e a vida do paciente em risco com altos custos monetários e psicológicos sem comprovação de benefícios para o portador dessas alterações.

Em 2011, W. Bernardo coordenou um trabalho na Associação Médica Brasileira para estabelecer diretrizes aos médicos, chegando às seguintes conclusões:

• Exames de imagem para dores lombares não devem ser realizados antes de seis semanas do início dos sintomas, a não ser que surjam sinais de alarme.
• Densitometria óssea deve ser feita após os 65 anos para as mulheres e os 70 anos para os homens, a menos que existam importantes fatores de risco.
• Eletrocardiograma em pessoas assintomáticas devem ser evitados.
• Pessoas jovens com sintomas de dispepsia não necessitam realizar endoscopia.
• Pessoas jovens com diagnóstico endoscópico de gastrite ou esofagite não necessitam realizar exames de controle.
• Exames de risco como colonoscopia, colangiografia e outros devem ser evitados em pessoas com mais de 80 anos ou em pessoas em estado terminal ou muito graves.
Nos anos 2003 e 2004 foi iniciada uma proposta entre os médicos americanos de realizarem em pessoas com mais de 50 anos tomografia de todo o corpo (FBCT). Dados importantes foram retirados da experiência, hoje abandonada, como:
• Não foi útil a prática na detecção do câncer de pulmão e foi contraditória a vantagem de se fazer avaliação tomográfica das artérias e coração em pessoas saudáveis.
• Na colonoscopia virtual foram detectadas diversas anormalidades em pessoas saudáveis, que após investigação complementar não tiveram nenhum benefício.
• Em pesquisa para câncer de fígado, o achado de um exame positivo foi acompanhado de 1800 mil falsos negativos e naqueles hepatocarcinomas diagnosticados não houve uma melhor sobrevida, comparado aos tumores detectados na prática clínica.
• Chegou-se à conclusão de que essa prática (FBCT) era muito dispendiosa e que para um acréscimo de seis dias na sobrevida dos examinados houve um custo de 150 mil dólares além da terrível irradiação causada pela prática.

Muitos outros dados poderiam ser acrescentados não só referentes aos exames como, também referentes ao excesso de medicamentos e cirurgias hoje indicados, o que será objeto de outra análise.

Comentários