Medicamentos (parte 2)
Sexta, 04 de Dezembro de 2015

Com o desenvolvimento da química, a partir do século XVII iniciou-se a purificação dos medicamentos, pois até então eram administrados sobre a forma de extratos que continham substâncias terapêuticas e outras indesejáveis. Um exemplo é a papoula.

De 1806 a 1831 foram isoladas da papoula e da beladona a morfina (analgésico), a codeína (antitussígeno), a papaverina e a atropina (para cólicas), que são substâncias largamente usadas até os dias de hoje.

Conhecida desde tempos de Hipócrates, a infusão do Salgueiro (chorão) era utilizada com cautela, pois seu efeito benéfico de aliviar a febre e a dor era associado com alto índice de toxicidade. Em 1821, o químico francês Henri Leroux isolou a salicina (ácido salicílico), que é o princípio ativo do chorão, mas foi o laboratório Bayer em 1899 que combinou o ácido salicílico com o acetato e formou o ácido acetilsalicílico, que foi patenteado com o nome de "Aspirin". Foi o primeiro medicamento do mundo a ser sintetizado e lançado em forma de comprimidos.

A Aspirina foi o primeiro medicamento patenteado por laboratório. A partir do sucesso da Bayer, muitos outros farmacêuticos e químicos iniciaram um caminho semelhante e geraram empresas, de início familiares, que depois se transformaram em grandes empresas globais.

Com o desenvolvimento da teoria molecular das doenças, no início do século XX, entendeu-se que as doenças eram frutos de alterações de moléculas químicas que existiam nas células. A fisiologia humana e a fisiopatologia são os estudos de como as doenças se estabelecem e se propagaram. Os químicos iniciaram a procura de substâncias químicas que, caso modificassem a molécula doente ou que a neutralizassem, obteriam efeito terapêutico. De início, foi relativamente fácil pois poucos medicamentos existiam. Atualmente, torna-se mais difícil a criação de novos medicamentos devido à profusão de ofertas dos mesmos. Calcula-se que uma entre 5000 substâncias produzidas é aproveitada e o custo atual, desde a produção de um medicamento até sua utilização na prática clínica, ultrapassa a 1,7 bilhão de dólares. Como se não bastasse este custo, existe ainda situações onde um medicamento é comercializado em larga escala e depois comprova-se que o mesmo traz prejuízo à saúde, tendo o laboratório de retirá-lo do mercado.

O lucro dos laboratórios para seus acionistas é grande, mas o risco não é desprezível, o que levou nos últimos 30 anos a fusões entre muitos laboratórios, tornando-se potências econômicas para reduzir o risco de quebra em casos de repetidos insucessos. (continua)

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