MEDICAMENTOS (3a. parte)
Sexta, 11 de Dezembro de 2015

Com o surgimento dos laboratórios globais houve melhoras substanciais na saúde. As vacinas e os medicamentos criados por esses laboratórios, aliados a uma melhora das condições sanitárias e da melhor cultura da população, determinaram um aumento da vida média da população brasileira de 39 anos em 1900 para 73 anos em 2014.

Críticas pairam sobre esses laboratórios. A primeira é o alto custo dos medicamentos novos, justificado pelos fabricantes pelo alto investimento feito no desenvolvimento das novas drogas. A segunda é a de que esses grandes laboratórios investem em doenças dos países ricos, negligenciando os males que acometem os países pobres. Argumentam os laboratórios que 85% de seu faturamento estão concentrados nos países ricos. A receita em toda a América Latina não é mais do que 4% do total. A terceira e mais consistente crítica é a de que os laboratórios muitas vezes lançam produtos sem a comprovação de sua eficácia e muito menos de seus riscos contra a saúde humana. Isto tem feito com que a Vigilância Sanitária de países desenvolvidos obriguem alguns laboratórios a retirar medicamentos amplamente comercializados, como foi o caso do ótimo antirreumático Vioxx.

A quarta crítica baseia-se no fato de que os laboratórios lançam novas drogas que nem sempre apresentam efeitos e segurança comprovados e cooptam médicos e farmacêuticos através de grande propaganda e benesses a usarem medicamentos. Isto me leva a lembrar da observação de um grande médico norte-americano Alexander Pope que dizia: "Deus, me ajude a não ser o primeiro a usar um medicamento mas também a não ser o último a abandoná-lo".

O que os pacientes devem observar?
Os medicamentos, quando bem usados, podem ser algo maravilhoso, curando a maioria das doenças, fazendo com que as doenças crônicas e degenerativas sejam mais suportáveis pelas pessoas, reduzindo seus sintomas e retardando sua progressão, melhorando a qualidade de vida e evitando a morte que se daria precocemente sem esse recurso.

No entanto, quando mal usados poderão trazer danos ao organismo. Pesquisas feitas em todo o mundo mostram que 30% ou mais dos pacientes não seguem a prescrição do médico e nem leem a bula do medicamento usado. Desobediência de horário, de doses prescritas, e ainda a troca por medicamentos inadequados levam a um prolongamento do sofrimento e até à incurabilidade da doença. Como exemplo, sabemos que o omeprazol usado à noite e não pela manhã, em jejum, tem sua eficácia reduzida em 50% e os sais de ferro, usados para tratamento da anemia, quando ingeridos com alimentos têm sua absorção reduzida em 60%.

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