MEDICAMENTOS (parte 5)
Quinta, 24 de Dezembro de 2015

Quem vai adquirir um medicamento, deve conhecer como ele é vendido nas farmácias.
Na edição passada, apresentamos os medicamentos de referência, similar, genérico, órfãos e éticos. Hoje encerramos o assunto apresentando o que são medicamentos livres ou populares e os fitoterápicos.

1. Medicamentos de venda livre ou populares: são medicamentos que podem ser vendidos diretamente no balcão da farmácia. No Brasil, diferente de outros países, mesmo sendo de venda livre, os medicamentos não podem estar ao alcance dos usuários, sendo necessária sempre a interferência do profissional vendedor. Não podem também estar expostos em armazéns ou supermercados, costume existente em muitos países.

2. Medicamento fitoterápico é aquele obtido de plantas medicinais, onde utiliza-se exclusivamente derivados de vegetal. Os fitoterápicos são medicamentos industrializados e têm legislação específica. São uma mistura complexa de substâncias, onde, na maioria dos casos, o princípio ativo é desconhecido. Não são substâncias químicas puras, mas têm efeito empiricamente comprovados e por isso são recomendados. Deve-se diferenciar de fitoterapia, onde o vegetal é usado in natura como um todo e não passa por industrialização. Sua diferença com os medicamentos químicos é que esses são constituídos de elementos identificados na bula, enquanto os fitoterápicos não possuem esta indicação. Um exemplo é a planta Ginko biloba, que é um composto de 20 substâncias não individualizadas.

A primeira pergunta que sempre surge no consultório é: "o medicamento genérico é igual ao prescrito pelo médico?". A resposta usual é de que o medicamento de referência é considerado o melhor, pois passa por todos os testes de qualidade, mas certamente é o mais caro. Se, no entanto, para comprá-lo exige um grande sacrifício, deve ser informado ao médico, que o substituirá por outro mais barato, mas que tenha eficiência comprovada. O farmacêutico pode substituí-lo, mas, no geral, quem o faz é um balconista que não tem conhecimentos técnicos sobre o assunto, trocando muitas vezes por outros que nada têm a ver com a prescrição original. Recomendo aos meus pacientes que não aceitem a substituição sem falar comigo. É necessário também que o paciente tenha atenção ao medicamento prescrito e compare seu nome com o comprado, pois muitas vezes o mesmo é trocado sem a anuência do comprador.

Outro aspecto a ser considerado é a do paciente que faz tratamento porque ouviu que era bom fazê-lo. Exemplo disto é a administração de vermífugos para crianças. Não há nenhum medicamento para vermes que elimine todos os vermes e parasitas. O certo é, se tiver dúvida, deve mandar fazer um exame parasitológico de fezes e, se, comprovada a infestação, tomar o medicamento específico. Outro costume é o das mães darem sistematicamente laxantes para os filhos com o fim de "purificá-lo ou desintoxicá-lo". Essa prática, além de não ser benéfica, pode trazer prejuízo para as crianças.

Como regra, deve-se evitar o uso de medicamento indicado pelo balconista. Vejo frequentemente pessoas no meu consultório tomando há anos "omeprazol para o estômago". O Omeprazol foi uma grande descoberta para tratamento de úlceras ou gastrites. Seu uso contínuo está vinculado a uma maior incidência de infecções intestinais, à osteoporose nas mulheres e, mais recentemente, há indícios que esteja ligado a algum tipo de câncer. Tomar por um curto período é aceitável, mas seu uso prolongado somente deverá ser feito com prescrição médica.

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