ESPIRITUALIDADE
Sexta, 15 de Julho de 2016

No início dos anos 1900, o brasileiro vivia em média 39 anos. Nos dias de hoje, passou a viver 73 anos. Embora as águas, o ar e o ambiente se tornaram mais poluídos, hoje vivemos mais. Contribuíram para esse aumento um melhor conhecimento das doenças, de medidas higiênicas, sua prevenção e, certamente, o desenvolvimento de medicamentos eficientes e específicos. O desafio da Medicina é o de desenvolver táticas que levem as pessoas a viver cada vez mais e melhor.

Está devidamente estabelecido que a vacinação, o uso de alimentação saudável e balanceada, exercícios físicos regulares e controle periódico dos parâmetros de saúde após os 40 anos, entre outros, ajudam a elevar a quantidade e a qualidade da vida das pessoas. A espiritualidade tem sido ultimamente valorizada como um dos fatores coadjuvantes para uma vida melhor e mais longa.

Em primeiro lugar, é necessário definir o que é Espiritualidade. Para Ben Pargment, sociólogo da Universidade de Ohio, espiritualidade é a busca do sagrado. David J. Hufford, da Universidade da Pensilvânia diferencia espiritualidade de religião. Espiritualidade é "a relação pessoal com o transcendental" e religião é definida como "os aspectos comunitários e institucionais da espiritualidade". Como vemos uma pessoa pode ser espiritualizada sem pertencer a uma religião, mas sempre que praticar uma religião deverá, obrigatoriamente, ser espiritualizada.

As religiões ocidentais têm como supremo objetivo um Deus, sendo, por isso, monoteístas. Nas orientais, o conceito de Deus fica difuso. Conversando com diversos budistas, taoístas e hinduístas, notei que o conceito de Deus varia de pessoa a pessoa. Eles diferenciam, no entanto, o transcendental do material, o divino do humano. São, no geral, indivíduos muito fervorosos, solidários e politeístas que acreditam em inúmeros deuses. O certo é que todas as civilizações cultivam a existência de um ser superior, criador dos homens e da natureza, não importando o nome que se lhe deem.

A espiritualidade esteve sempre ligada à saúde dos povos. Até Hipócrates, e, mesmo após ele, o agente religioso se constituía no elemento responsável pela saúde dos cidadãos. Jesus ao curar um leproso mandou que se apresentasse ao sacerdote (Lucas 5, 14), pois o sacerdote era o agente sanitário da época. Com Hipócrates inicia-se a formação de médicos que somente toma corpo após a Idade Média. Entendia-se que a saúde era recuperada pelos médicos mas, sempre, contavam com a ajuda de Deus. Após a Segunda Guerra, iniciou-se um abandono parcial da crença do apoio divino para a cura das doenças sendo ainda, no entanto, muito presente no mundo. Pesquisas feitas nos Estados Unidos mostram que 50% dos pacientes dividem o sucesso de suas curas entre os médicos e Deus.

No século 21 está havendo uma forte tendência de retorno à espiritualidade e os países desenvolvidos estão atentos a este fato. Pesquisas realizada pela Universidade de Harvard em quase 2 milhões de pacientes internados mostrou a grande insatisfação em relação ao atendimento espiritual nos hospitais. Deve-se a dois fatores: a carência de capelães mas, principalmente, à falta de preparação dos médicos para abordarem o assunto. Esta pesquisa chamou a atenção aos educadores médicos que passaram a agir. Nos Estados Unidos e no Canadá em 1980 apenas 3 faculdades incluíam assuntos de espiritualidade no seu currículo sendo que hoje mais de uma centena o fazem. Algumas com caráter optativo mas a maioria de caráter obrigatório.

Comentários