Tratamentos Esdrúxulos e Absurdos
Sexta, 02 de Setembro de 2016

Após múltiplos artigos vamos vivenciar algumas curiosidades médicas.

A medicina sempre foi alvo de especulações, invenções, condutas estranhas e modismo.

Tratamentos diferentes surgem o tempo todo. Isto acontece principalmente porque qualquer tratamento aplicado em grandes grupos terá um índice de cura médio de 30%. Se dermos, com convicção, cápsulas de farinha para tratar diversas doenças, um a cada quatro pacientes experimentará melhoras. É o chamado efeito placebo que se baseia na sugestão do paciente e na esperança da cura. Por isso, existiram no correr da história tratamentos esdrúxulos e tratamentos absurdos. Por tratamentos esdrúxulos, entendemos aqueles tratamentos sem uma base científica inicial, mas que, estranhamente, têm poder de cura. Por tratamentos absurdos, entendemos aqueles que, apesar de ser uma ideia inicialmente boa, fere todo e qualquer princípio de ética e da ciência.

TRATAMENTOS ESDRÚXULOS:

1. Inicio o relato desses contando a minha história pessoal. Em minha infância, quando sofria algum ferimento, minha falecida mãe colocava açúcar sobre o mesmo com o objetivo de curar. Terminado o curso de medicina voltei para Passo Fundo. Um dia surpreendi minha mãe colocando açúcar em ferida infeccionada de meu irmão menor. Critiquei-a dizendo que, à luz da ciência que havia aprendido na faculdade, aquilo era muito errado, pois estava colocando sobre um ferimento uma substância não esterilizada, o que agravaria a infecção.

Que surpresa eu tive quando, anos após, em congresso médico de cirurgia, ouvi de um professor americano a grande novidade: açúcar in natura para curar infecções de cirurgias abdominais complicadas. Passei a usá-lo com ótimos resultados. Nos dias de hoje, esta indicação está reduzida porque, graças aos recursos médicos, temos poucos pacientes com peritonites francas. Por outro lado, novo armamentário medicamentoso foi incorporado, tornando-se menos necessário o uso do açúcar.

2.- Hipócrates, médico grego considerado o Pai da Medicina, usava sobre os ferimentos esterco de vaca. Na China, no século 3 d.C., o médico Ze Hong usava para tratar infecções intestinais fezes de pessoas sadias dada em forma de sopa cujo odor e sabor eram modificados por outros vegetais para que o paciente a pudesse suportar. Esse tratamento permanece até os dias de hoje naquele país, havendo o relato de que o médico Li Shizhem tratou um imperador Ming com essa sopa amarela. Havia também o conceito que o odor das fezes expulsava os vermes das crianças.

Há cerca de 10 anos na Suécia, médicos, sem outra alternativa para curar uma doença chamada retocolite pseudomembranosa que surge em pacientes que usam muitos antibióticos, injetaram no intestino grosso fezes de um adulto saudável, havendo uma surpreendente cura em 83% dos pacientes Repetindo mais duas injeções de fezes obtiveram 100% de cura de uma doença gravíssima. Desde então, o mundo inteiro está fazendo experiência, sendo que, em alguns países desenvolvidos, já existem banco de fezes ainda não liberados pelas Vigilâncias Sanitárias desses países. Seu uso clínico ainda não é recomendado. O uso das fezes está autorizado para testes experimentais.

Diversas doenças parecem se beneficiar com a administração de fezes como a Retocolite ulcerativa, a doença de Crohn, a síndrome do intestino irritável e outras.

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