Tratamentos Esdrúxulos e Absurdos II
Sexta, 09 de Setembro de 2016

Há cerca de 10 anos, na Suécia, médicos, sem outra alternativa para curar uma doença chamada retocolite pseudomembranosa que surge em pacientes que usam muitos antibióticos, injetaram no intestino grosso fezes de um adulto saudável, havendo uma surpreendente cura em 83% dos pacientes. Repetindo mais duas injeções de fezes, obtiveram 100% de cura de uma doença gravíssima. Desde então, o mundo inteiro está fazendo experiências, sendo que em alguns países desenvolvidos já existem banco de fezes ainda não liberados por suas respectivas Vigilâncias Sanitárias. Seu uso clínico ainda não é recomendado. O uso das fezes está autorizado para testes experimentais.

Diversas doenças parecem se beneficiar com a administração de fezes, como a retocolite ulcerativa, a doença de Crohn, a síndrome do intestino irritável e outras.

3. Edward Jenner, cirurgião inglês, passou quando criança em orfanato uma experiência traumática, pois viu morrer de varíola muitos colegas. Desde então, perseguiu a ideia de curar essa terrível doença. Trabalhando no interior da Inglaterra, viu uma assistente sua pegar a varíola por contato com porcos e, por isto, a doença é chamada de varíola suína. As varíolas suínas e bovinas são doenças menos agressivas do que a varíola humana. A assistente recuperou-se e Jenner pegou secreção das lesões de pele dela e injetou no seu filho, que teve febre, mas desenvolveu resistência à varíola, uma vez que, em contato com variolosos, passou ileso, enquanto outras crianças a contraíram.

Entusiasmado, procurou estabelecimentos rurais onde encontrou mulheres com pústulas decorrentes da varíola bovina e injetou aquela secreção em oito pessoas, sendo uma delas outro filho seu. Apesar de uma das pessoas que receberam o material purulento ter morrido por outra doença, as demais desenvolveram resistência à terrível varíola humana. Estava criada a prevenção da mesma. Como o material veio de doenças de vacas, foi chamada de “vaccínia”, nome usado até hoje. Jenner estaria muito feliz, pois, em 1977, foi registrado na Somália o último caso de varíola no mundo. A doença foi considerada, em 1980, erradicada pela OMS.

4. Há, em países pobres onde grassa a desnutrição proteica, o costume das parturientes ingerirem a própria placenta determinando, no seu entender, uma melhor condição de saúde para a mãe, bem como uma maior produção do leite materno. Este costume, por certo, foi copiada de fêmeas animais que, após o parto, comem a placenta recém-expulsa. Têm havido, em alguns países desenvolvidos, experiências nesse sentido e, apesar de ideia repulsiva, têm-se mostrado útil no fortalecimento da mãe que amamenta. Na Europa, até há pouco tempo ingeria-se placenta humana para curar a depressão pós-parto.

Como vemos, foram quatro propostas esdrúxulas que resultaram em benefício para a humanidade.

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