Tratamentos Esdrúxulos e Absurdos (parte 2)
Sexta, 16 de Setembro de 2016

No artigo anterior, vimos os tratamentos considerados diferentes, mas que, por estranhos que pareçam, são efetivos. Por tratamentos absurdos julgamos aqueles que, além de não terem nenhum suporte científico, fogem à razão normal das pessoas. Os que não os experimentaram ficam pensando como puderam as pessoas acreditar em tratamentos tão irracionais. Existem tantos deles que seria necessário um livro para descrevê-los. Lembraremos alguns que foram usados no correr dos tempos.

1. Nas ilhas de Papua, no oceano Pacífico, nativos comiam o cérebro dos anciãos que morriam por acreditarem que estariam recebendo a sabedoria dos mesmos. Foi necessário que um pesquisador chamado Carleton Gajdusek demonstrasse que a epidemia de uma progressiva degeneração cerebral, que os nativos chamavam de Kuru, era transmitida pela ingestão dos cérebros humanos de seus antepassados. Esta doença é conhecida na Europa como doença de Creutzfeldt-Jakob, transmitida por um agente infeccioso chamado príon. Trata-se da “doença da vaca louca”, que foi identificada na Inglaterra e que era transmitida pela ingestão da carne de vacas alimentadas com rações compostas da compotagem com vísceras de bovinos.

2. No século 12, havia uma prática nos países da península arábica de comer partes do “homem melificado”. Para tal escolhia-se um homem que havia vivido muito e que fosse razoavelmente saudável. Era feita uma boa proposta financeira para que aceitasse servir de substrato para tratamentos médicos e para o futuro de seus descendentes. O homem idoso, já no final da vida, passaria a ingerir somente mel e água. Pela desnutrição proteica não vivia muito. Quando morria era colocado numa cuba com mel onde permaneceria no mínimo por dez anos. A partir de então partes do seu corpo eram vendidos a preço de ouro para as pessoas doentes que pensavam que, ingerindo partes de um idoso, também teriam longa vida. Suspeita-se que essa prática ainda é usada em países orientais. Na Etiópia, o cadáver utilizado era o de jovens que morriam na travessia dos desertos.

Na China rural há informações de que os filhos amorosos retiram partes de seu corpo e as dão para os pais idosos e doentes ingerirem. Ao comerem carne de jovem, os idosos seriam rejuvenescidos. Os filhos homens costumam doar parte de seus glúteos enquanto as mulheres retiram pedaços de seus seios. Na Europa recomendava-se, até o século 19, o uso de crânios humanos para tratar a epilepsia. Como vemos, é uma história de canibalismo dissimulado.

3. Em Roma, no seu apogeu, usava-se de maneira velada o sangue recém-colhido dos gladiadores mortos para tratamento de diversas doenças, como a epilepsia, a gota, anasarca e outras. Esse costume permaneceu na Europa até o século 18, quando o sangue usado era o dos criminosos executados, principalmente na guilhotina. Para ser eficiente o sangue deveria ser de pessoas jovens e fortes, como eram os gladiadores e a maioria dos criminosos. Recomendava-se, para o tratamento da lepra, banhar-se em sangue de criança ou de virgem. Segundo o historiador Plínio, no Egito essa prática era muito usada para tratamento dos familiares dos Faraós. Supõe-se que muitos infanticídios eram cometidos na época para satisfazer a criminosa atividade.

4. Muitos outras partes do corpo humano foram usadas como tratamento. A gordura humana era vendida em boticas até o século 18, em toda a Europa, para tratamento de reumatismo e outras doenças de articulações que receberam nomes estranhos à época, como “Manteiga de Mulher”, “Gordura de Pobre Pecador”, “Espírito de Crânio” etc. Após as batalhas campais em que morriam inúmeras pessoas, os comerciantes desses artigos percorriam os campos com bisturis e baldes recolhendo o produto que seria embalado e vendido.

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