Tratamentos Esdrúxulos e Absurdos (3ª parte)
Sexta, 23 de Setembro de 2016

Na Rússia comunista, todo o cadáver pertencia ao Estado. Como tal, os médicos pegavam os cadáveres recém-falecidos, ou mesmo os moribundos, e deles retiravam grande quantidade de sangue que servia para realizar transfusões. Esta prática existiu até os anos 80. Em países ocidentais foi tentada a prática, mas logo foi condenada pela ética cristã vigente.

Na China, devido à política do filho único, recentemente extinta, as mulheres grávidas esperavam até o 5° mês de gravidez para saber se era menino ou menina. No caso do ultrassom comprovar que era menina, praticava-se o aborto custeado pelo Estado. Estes fetos eram disputados, pois os funcionários dos hospitais e os médicos os levavam para comer, achando que sua qualidade nutricional era muito grande. Rico em proteína, tão carente naquele país, o feto era muito valorizado, até porque se entendia que era rejuvenescedor. Até hoje esses fetos são usados para confeccionar cápsulas chamadas de Tao Bao, úteis para tratamento de doenças da pele, da asma e de estados de desnutrição. Um curioso perguntaria: não estariam os chineses antecipando a prática do uso das células tronco?

5. Também eram utilizados produtos retirados das pessoas vivas para efetuar certos tratamentos. A saliva de pessoas jovens era indicada para tratamento de conjuntivites, de feridas infectadas e de otites. Nisto há certa ciência, pois a saliva humana possui um produto antimicrobiano natural. O sangue menstrual de mulheres virgens era indicado para tratar a tensão pré-menstrual.

Na China, segundo um manual terapêutico, a urina humana é usada para tratamento do diabetes. Recomenda-se retirar a urina de banheiros públicos e dar ao paciente em segredo, pois, sabendo do que se trata, a pessoa poderia recusar o seu uso. Também houve a indicação de urina de mulheres virgens para tratar a tensão pré-menstrual.

Fica a pergunta: como tratamentos tão absurdos puderam e podem ainda hoje ser usados? A primeira consideração que devemos fazer é de que a maioria das doenças são autolimitadas, isto é, com ou sem tratamento, após algum tempo, melhoram. A segunda e mais importante colocação é o chamado efeito placebo do remédio, em que a esperança da cura leva o organismo a produzir certas substâncias endócrinas que determinam uma melhora real das doenças. Quanto mais difícil for a obtenção do medicamento, tanto maior será o efeito da sugestão sobre o tratamento.

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