Tratamentos Placebos
Sexta, 30 de Setembro de 2016

Segundo a Wikipedia, o nome Placebo vem do latim placer, que significa agradar. É, portanto, um fármaco, terapia ou procedimento inerte que apresenta, contudo, efeitos terapêuticos devido ao fator psicológico da crença do paciente de que ele está sendo adequadamente tratado. O placebo pode ser eficaz porque pode reduzir a ansiedade do paciente, revertendo, assim, uma série de respostas psicossomáticas e levando a uma sensação de bem-estar.

O efeito placebo explica por que muitos tratamentos que são comprovados como ineficazes trazem benefícios aos pacientes. Ao ativar a área consciente do organismo, o cérebro pode liberar substâncias como endorfinas, cortrosinas, adrenalina e outras que levam o indivíduo a ter melhora quanto à dor e ao estado depressivo induzido pela doença.

Sua ação é conhecida desde os primórdios e utilizada pelos xamãs, feiticeiros, líderes religiosos e, mesmo, por médicos que praticam alguma medicina alternativa.

A ética médica não a proíbe. Alerta, no entanto, que o paciente não abandone o tratamento convencional que está recebendo e que é, comprovado pelas evidências científicas, eficiente.

O placebo é uma substância ou um tratamento ineficaz que era dado a uma pessoa a fim de comprovar, por comparação, o efeito de drogas ou tratamentos eficientes.

Um relato interessante desse efeito foi realizado por um grande cirurgião suíço, Theodor Kocher, que fez, nos anos 1890, 1600 cirurgias de tireoide com uso de placebo, precedidas por uma preparação psicológica dos pacientes. Alertados que receberiam um medicamento moderno e bom, os pacientes sentiam-se melhor apesar de estarem recebendo apenas farinha ou açúcar.

Nos Estados Unidos, a partir dos anos 40, foi feito um estudo com população afro-americana pobre e portadora de sífilis, conhecido como o Estudo Tuskegee, no qual metade recebia medicamentos efetivos e metade ficava com tratamento placebo e cuidados alimentares e higiênicos. O estudo teve de ser paralisado, pois a grande maioria dos pacientes sem tratamento eficaz morria. O presidente Clinton pediu desculpa aos familiares por tão desastrosa experiência

Com esse fato trágico e outros, a Associação Médica Mundial, reunida em Helsinque, criou a Declaração Mundial de Helsinque, regulamentando a pesquisa em seres humanos e proibindo o uso de substâncias inertes em pessoas a quem isso pode trazer risco.

A Declaração de Genebra da WMA compromete o médico com as seguintes palavras: “A saúde do meu paciente será minha primeira consideração”, e o Código Internacional de Ética Médica afirma que “Um médico deve agir no melhor interesse do paciente quando fornecer cuidados médicos”. É o princípio hipocratiano do “primum non noscere”, ou seja, nunca prejudicar o paciente, o qual é conhecido pelo jargão jurídico como princípio da não maleficência.

Desde então, qualquer pesquisa médica deve ser orientada usando a droga em estudo comparada com o melhor tratamento disponível na medicina. Em caso de haver repetidos resultados insatisfatórios, os estudos devem ser prontamente interrompidos.

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