Tratamentos Placebos (Parte 3)
Sexta, 14 de Outubro de 2016

Conheci colegas que sabiam pouco sobre medicina e pouco estudavam, mas seus consultórios eram sempre lotados devido ao seu carisma e ao carinho com que tratavam os pacientes. Por outro lado, também conheci colegas, excelentes profissionais de grande conhecimento, mas com poucos clientes devido à sua arrogância e a seu ceticismo.

Tratamentos diversos também podem influenciar na melhora dos pacientes. São bem conhecidas as cirurgias espirituais. Estive em Minas Gerais, onde fazia sucesso o curandeiro chamado Zé Arigó. Ele retirava dos olhos das pessoas, por prestidigitação, “carnes”, que na verdade eram membranas bovinas que ele trazia de casa, curando (?) catarata e tumores das pessoas. Famosos, como artistas e jogadores, procuravam-no. O entusiasmo dos pacientes era muito grande, mas foi aos poucos desaparecendo. Anos depois, falei com seu filho, médico, que ria da atividade do pai, mas reconhecia que foi o sucesso do mesmo que lhe permitiu cursar medicina.

Nos anos 70, sendo funcionário do INAMPS, braço médico da Previdência Social, fui encarregado de fazer auditoria em pacientes cujos médicos diziam que realizavam cirurgias de estômago ou vesícula, cobrando pelas mesmas, mas fazendo apenas uma incisão na pele sob anestesia geral. A retirada de parte do estômago, tratamento padrão na época, não era feito conforme comprovação de raio X pela auditoria, mas a maioria dos pacientes sentia-se bem e agradecia aos médicos pelo tratamento eficiente.

O uso de aparelhos sofisticados e chamativos também exerce um efeito placebo sobre os doentes. Uma moda, existente até hoje, é o uso de aparelhos de laser. O laser era a panaceia que tudo curava. Houve uma clínica em nosso Estado, com um aparelho que emitia luzes brilhantes e chamativas atribuídos ao laser que operava verdadeiros milagres nos pacientes, tanto em tratamentos oculares, da pele e até tratamentos coloproctológicos. A clínica era muito procurada, mas foi sendo abandonada aos poucos quando o entusiasmos diminuiu e o médico foi até processado por pacientes descontentes.

O tratamento placebo explica hoje o sucesso que têm medicinas alternativas, como a homeopatia, medicina ortomolecular, acupuntura, medicina ayurvédica, florais e tantas outras. Quando o paciente sente-se bem deve continuar, mas, em caso de insucesso, deve imediatamente procurar um profissional especializado, uma vez que essas práticas são somente eficientes em doenças chamadas psicossomáticas, sem comprometimento orgânico dos órgãos. Quando os sintomas persistirem, deverão procurar um diagnóstico preciso, pois muitos cânceres, inflamações e infecções iniciam, muitas vezes, com poucos sintomas, mas se diagnosticados tardiamente são devastadores.

Penso também que quem pratica a medicina alternativa deve ter ética e jamais desaconselhar o abandono dos medicamentos usados, pois esta medida poderá agravar a doença existente. No máximo, o terapeuta deverá conversar com o médico assistente para ver se pode mudar o tratamento sem prejudicar o paciente, pois o objetivo maior de nossas profissões é beneficiar o cliente.

Comentários