O adeus
Sexta, 09 de Dezembro de 2016

Quando viemos ao mundo, ninguém nos ensinou quais são as leis do sofrimento e como lidar com elas. Normalmente a dor da perda chega de repente, desestabilizando-nos e “machucando por dentro.” Aos poucos, vamos recolhendo cada pedaço para nos reconstruirmos , sem perceber que este processo é o nosso maior aprendizado de vida.

Não existe nenhuma pessoa que saiba lidar muito bem com o sofrimento, nem sempre sabemos controlá-lo, pois ele nos fere e, às vezes, até nos destrói. Por isso, cada pessoa deve encontrar a sua própria maneira de lidar com a dor, de como encontrar alívio, força e capacidade para se levantar novamente.

Ninguém pode chorar por nós, reorganizar nossos pensamentos e aliviar a nossa dor. É uma tarefa que exige tempo e, acima de tudo, a compreensão de que não somos tão fortes quanto pensávamos. Na verdade, somos tão vulneráveis quanto imaginamos.

É na vulnerabilidade que está a nossa força. Se você se recusar a admitir que está ferido, triste, que a sua vida acabou e sente muita dor, erguerá sobre si mesmo um muro de negação. Como vai lidar com algo que não reconhece que existe? Por que se recusar a lamentar a perda e não a elaborar?

 

“Reconhecer que somos frágeis nos permite ser mais flexíveis e capazes de nos moldarmos frente às vicissitudes. No final das contas, o luto é uma resposta adaptativa alcançada através do sofrimento e da dor”.


No entanto, temos que esclarecer um aspecto importante: quando se fala em luto sempre pensamos na morte, mas existem também os lutos afetivos ou emocionais, como o amor ao qual temos que renunciar ou até mesmo o simples fato de amadurecermos como pessoa, assumir novos valores, abandonar certos padrões de pensamento para desenvolver outros…

Superamos o luto no processo de amadurecimento interior porque toda mudança envolve perdas, superação e até sentimento de vazio e solidão. Isso é enriquecedor e necessário para o nosso crescimento. Resiliência é, de modo entendível, como renascer das cinzas, como a Fênix, personagem mitológica bem retratada em alguns filmes de Harry Poter.

“Se não está em suas mãos mudar uma situação que causa dor, você pode escolher com que atitude vai enfrentar esse sofrimento”. (Viktor Frankl)

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