Diarreias
Sexta, 17 de Janeiro de 2014
Por diarreia entende-se a eliminação de fezes desmanchadas pelo ânus. No geral, o número de evacuações por dia está aumentado, mas mesmo que a pessoa vá ao banheiro uma só vez e elimine fezes liquefeitas, é considerado diarreia. Nem sempre a diarreia significa doença, pois poderá ocorrer em pessoas que comem muitas frutas e fibras bem como tomam muito líquido.
As diarreias são classificadas em agudas (com duração menor do que um mês) e crônicas as que ultrapassam os 30 dias.
DIARREIA AGUDA
Frequente nas regiões pobres do planeta, ocorrem menos em locais onde as condições sanitárias são melhores. Em nossa região calcula-se que 10% da população sofrerá uma crise de diarreia aguda por ano. No mundo, mas principalmente na África e Ásia, calculam-se que três bilhões de pessoas sofram com a diarreia.
Em nosso meio, a grande causa de diarreia aguda é intoxicação alimentar. Mãos sujas, alimentos mal conservados, mal preparados ou contaminados podem determinar diarreia aguda. Estas são de pouca gravidade e com 24 horas de dieta (líquidos, chás, arroz branco, batata inglesa) a maioria delas estará curada. A presença de febre acima de 38º alerta para a possibilidade de infecção sendo necessária a visita ao médico. Outros sinais de gravidade são vômitos, sangue ou pus na evacuação, sensação de desmaio e grande prostração. As causas mais frequentes de diarreia infecciosa são vírus (rotavírus em crianças e norwalkavirus em adultos) e bactérias (salmonella, shighella, Scherichia coli e estafilococos). Giárdia e amebas, comuns até os anos 70, hoje são raras.
Nos países desenvolvidos têm aumentado muito a contaminação das águas. Citomegalovirus determina diarreia no uso de imunossupressores, em usuários de drogas ilícitas e em homossexuais. 
Tome cuidado, pois o uso indiscriminado de antidiarreico (medicamentos que param a diarreia) é contraindicado, pois podem agravar a infecção e permitir que ela saia do intestino e vá para o sangue. Especial cuidado devem ter os pacientes portadores de próteses, válvulas cardíacas, transplantes, telas e outros elementos estranhos ao organismo pois a infecção pode comprometê-los. 
DIARREIAS CRÔNICAS
Doença frequente no ocidente acomete 20% da população podendo ser contínua ou periódica. 10% das pessoas maiores de 50 anos, principalmente mulheres multíparas, apresentam perda involuntária de fezes, muitas vezes classificadas como diarreia. Trata-se de incontinência fecal que deve ser tratada, pois, com o avançar da idade tende a piorar, obrigando muitas vezes ao uso de fraldas.
Nessa idade é frequente o surgimento de diarreia por uso de medicamentos. Anti-hipertensivos, antiarrítimicos, antibióticos, antineoplásicos, anti-inflamatórios e produtos herbais são os mais comuns causadores de diarreia. Diarreias mais benignas costumam iniciar na juventude, mesmo que muitas vezes fiquem latentes por muitos anos. A história prévia de diarreia é sempre um fator tranquilizante no paciente idoso. Diarreias que surgem após os 50 anos devem ser investigadas. Na maioria das vezes trata-se de doenças benignas e facilmente curáveis. Doenças malignas, no entanto, podem por vezes iniciar na forma de diarreia. 
A presença de sangue e pus, bem como diarreias incômodas que surgem em momentos inoportunos e à noite, provocando urgência evacuatória, costumam ser doenças orgânicas que requerem investigação e tratamentos precoces. O número de evacuações também é importante. Evacuações em número de duas a quatro vezes dia, provem geralmente do intestino delgado e costumam ser menos graves. Evacuações numerosas, dez ou mais vezes por dia, estão relacionadas com doenças do intestino grosso, geralmente mais graves como Doença de Crohn, Retocolite Ulcerativa ou mesmo câncer de intestino. 
Emagrecimento, perda de apetite, fraqueza exagerada, palidez e desmaios, febre e aumento do volume do abdome devem ser sinais de alerta e a procura de médico especialista deve ser feita o mais rápido possível. O diagnóstico médico sempre deverá ser procurado nas diarreias crônicas. É importante uma boa história médica e um melhor exame clínico, pois um profissional atento chegará ao diagnóstico em mais de 80% dos casos. Exames de laboratório, endoscopias e exames de imagem devem ser indicados conforme a suspeita da doença, mas não devem substituir um bom exame clínico que muitas vezes é suficiente para o diagnóstico dispensando exames desnecessários e desconfortáveis.
O tratamento deverá ser feito de acordo com a doença diagnosticada. 
Lembre-se sempre:
•A grande maioria das diarreias é simples e benigna.
•Quando tiver os sinais de alarme acima citados procure logo o médico.
•Narre sua história com precisão e não se esqueça de citar os medicamentos em uso.
•Em diarreia crônica não se automedique e nem aceite tratamento orientado por balconista de farmácia pois poderá estar perdendo importante chance de cura da doença. 
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