DOENÇAS LIGADAS AO GLÚTEN
Sexta, 16 de Dezembro de 2016

A medicina vive de modas em dietas. Passamos por diversas nestes últimos 50 anos. Dieta sem gorduras, dieta sem carboidratos (Atkins), dieta paleolítica, South Beach, dieta Dukan, Dieta dos Pontos e muitas outras. Dietas para emagrecer, dietas para engordar, dietas para ficar mais bonitos ou mais inteligentes, enfim uma infinita lista de sugestões. Algumas com certa base científica, outras com propostas empíricas, prejudiciais ao organismo, e muitas, devido ao oportunismo dos proponentes, eivadas de interesses econômicos escusos.

No momento vivemos a época das dietas sem glúten que, segundo os autores, são dietas que tudo resolvem. “O Livro da Mente” e o livro “Barriga de Trigo” alardeiam contra este atual vilão.

O glúten é uma mistura de proteínas existente nas sementes de alguns cereais, principalmente o trigo, o triticale, o centeio e a cevada. Três doenças são ligadas a ele:

1. A primeira é a alergia ao glúten, pouco frequente. Caracteriza-se por manifestações de urticária, coceira no nariz e no corpo, rinite ou mesmo asma. Surge alguns minutos após a ingestão do alimento.

2. A segunda é a sensibilidade ao glúten não celíaco (em inglês NCGS), que se caracteriza por manifestações digestivas com o uso do alimento. Distensão abdominal, dor, cólicas com ou sem diarreia, náuseas e vômitos. Calcula-se que ocorra em média em menos de 0,5% da população adulta. É uma doença benigna, sendo muitas vezes reversível. Por outro lado, o glúten é um alimento formador de gases intestinais, sendo necessário, em alguns tratamentos, evitá-lo para melhorar os sintomas. O glúten é um alimento incluído num grupo conhecido por FODMAPs, que auxilia a formação de gases intestinais.

3. Por fim, a mais grave, a doença celíaca, que vamos analisar com mais detalhes:
História: em 1887, o médico britânico Samuel Gee descreveu uma doença que acometia crianças, determinando-lhes grande distensão abdominal, irritação, fraqueza e hipotrofia dos músculos. Devido ao abdômen grande, chamou de doença celíaca, uma vez que celius, em grego, significa barriga.

Em 1908, um americano da Universidade de Colúmbia, Christian Herter, descreveu a mesma doença que, a partir de então, passou a ser chamada de doença de Gee-Herter.
O seguinte passo foi dado por outro americano, Sidney Hass, nos idos da década de 1920: iniciou um tratamento contendo banana, leite e carne, com grande melhora dos pacientes.

Foi, no entanto, um holandês, Willian Dick, que iniciou uma dieta com eliminação da farinha de trigo com resolução completa dos sintomas das crianças. Havia dúvida quanto à sua teoria até que, em plena guerra, a Holanda não pode mais comprar trigo devido ao boicote da Alemanha nazista e teve de alimentar os cidadãos com batatas e outros cereais. Houve regressão completa dos sintomas dos celíacos, cuja doença retornou no fim da guerra ao ingerirem novamente derivados de trigo.

O diagnóstico definitivo foi obtido por uma médica britânica, Margareth Shinner, que desenvolveu uma cápsula que, introduzida no intestino, colhia pequenos fragmentos da mucosa intestinal que se apresentavam atróficas e com sinais inflamatórios. Hoje esse exame está abandonado, pois se faz a biópsia do duodeno guiada por endoscopia.

Comentários