Doenças ligadas ao glúten (parte 2)
Sexta, 23 de Dezembro de 2016

A doença celíaca tem caráter genético e pode atacar as pessoas em dois momentos de suas vidas.

1 - Na primeira infância, muito grave, pois determina diarreia, distensão abdominal, desnutrição, alterações da inteligência, bem como grande irritação e inquietação de seus portadores. Sua frequência média é de 5/1000 crianças.

2 - Na idade adulta, após a quarta década da vida com sintomas digestivos, tais como diarreia e alterações da função intestinal, fraqueza, anemia, distúrbios mentais como falta de concentração, ataxia, irritação, dor de cabeça e outros sintomas que lembram um estado depressivo. Não se comprovou, até hoje, relação com Alzheimer ou com Parkinson.

Os sintomas são desencadeados quando entram em contato com uma proteína chamada gliadina que é um componente do glúten e que confere à farinha do trigo sua elasticidade e plasticidade.

O diagnóstico é, no geral, feito por médico em bom exame clínico. Sua comprovação pode ser feita por teste terapêutico, que é a retirada total do glúten. A melhora é muito rápida não havendo, em princípio, necessidade de outros exames. A comprovação, quando houver dúvidas, se faz através de exame de sangue onde se pesquisam anticorpos específicos que têm razoável grau de sensibilidade. A biópsia do duodeno feita através de endoscopia é o método mais seguro e definitivo de comprovação.

O tratamento consiste na retirada total do glúten e correção das deficiências nutricionais existentes. O resultado desta dieta, quando bem feita, é animadora, pois há uma transformação total do paciente em poucas semanas. A retirada do glúten, em princípio, é para toda a vida. Alguns pacientes podem retornar ingerir pequenas quantidades desse alimento.

MITOS

1. Na preocupação com a doença celíaca, doença pouco frequente, muitos aproveitadores iniciam campanhas exaustivas para denegrir o glúten e vender suas fórmulas prometendo maravilhas. De início, pelo efeito da sugestão, há melhoras que impressionam as pessoas, mas costumam ser transitórias.

2. Esses suplementos alimentares, assim como a dieta sem glúten, são muito mais dispendiosos que os alimentos normais, sendo necessário que as pessoas consultem um médico especialista antes de embarcarem em aventuras das quais irão se arrepender no futuro.

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