Medicina alternativa: homeopatia – Parte 1
Sexta, 20 de Janeiro de 2017

Homeopatia é uma forma de medicina alternativa que se baseia em três princípios: 1) "similia simila curantur", isto é, toda a doença deve ser tratada com drogas que induzem no organismo sintomas semelhantes à doença básica. 2) diluições infinitesimais, ou seja, diluição intensa dos medicamentos; e 3) sucussão que consiste em sacudir o medicamento 30 vezes a cada diluição feita. Para entendermos o problema, vamos recuperar um pouco da história médica.

Hipócrates (Koz- Grécia, 460-370 a.c.) foi um médico grego, chamado de pai da medicina, que via o paciente de maneira holística e prioritária. Para ele não existiam doenças, mas sim doentes, pois cada indivíduo tinha de ser tratado de maneira única e individual. A ele se opunham médicos de outro local, Cnidos, a quem não importava o indivíduo, mas sim a doença que lhe acometia. Certamente Hipócrates estava certo, o que não impediu que Cnidos fizesse escola cada vez mais presente em nossos tempos que é a medicina superespecializada. O cliente é dividido em órgãos e o especialista trata somente o que lhe é de sua competência, esquecendo, por vezes, o ser humano integral.

Cláudio Galeno (Roma, 129-217d.c.) foi influente médico que dissecava macacos e contribuiu sobremaneira com a medicina da época. De origem grega, era politeísta e converteu-se ao monoteísmo cativando os neocristãos da época, passando a ser símbolo do conhecimento médico máximo e foi, até certo ponto, endeusado. Galeno fazia remédios compostos com substâncias naturais, muitas vezes com fórmulas esdrúxulas, para não se dizer absurdas. Um exemplo era um composto, chamado triarca ou teriarca, que continha 72 substâncias como grãos, pele de sapo e muitos outros componentes. Estes medicamentos davam muitos efeitos colaterais, inclusive o pior, a morte. Daquela época que se guarda ainda a expressão "morreu da cura".

Agostinho de Hipona (354-430), importante filósofo cristão por sua grande sabedoria, influenciou o mundo romano que progressivamente tornava-se cristão. De filosofia platônica, exerceu grande influência na Igreja, que passou a adotar alguns princípios que levariam ao obscurantismo da Idade Média. Era proibido escrever, porque, para os cristãos, tudo o que importava estava na Bíblia. Escrever o que lá continha não era necessário. Se o escritor contrariasse a Bíblia praticava uma heresia. Outro princípio imutável era o do Geocentrismo de Ptolomeu, bem como era o de que a ciência médica de Galeno era terminal e nada poderia se opor a ele. Para Agostinho, a razão se opunha à fé. Esse estado anticiência permaneceu até que Santo Tomás de Aquino (Roccasecca 1222-1274), de visão Aristotélica, propôs uma união entre a Fé e a Razão, abrindo o espaço para o estudo e o desenvolvimento científico. Lentamente foram surgindo vozes discordantes de ideias imutáveis que haviam. Copérnico e Galileu contrapuseram-se ao geocentrismo defendendo que a terra girava ao redor do sol e não o contrário. Na medicina, Vesalius (Bruxelas, 1514-1564), grande médico belga, mostrou que muitas informações de Galeno sobre anatomia eram erradas. Paracelso (Einsiendein, 1493-1541), médico suíço alemão, manifestou-se contra as teorias de Galeno queimando em público seus livros e os dos seus seguidores. Por este ato radical foi expulso da Basiléia, cidade onde exercia uma medicina holística.

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