Medicina alternativa: homeopatia (parte 3)
Sexta, 03 de Fevereiro de 2017

No Brasil, a homeopatia foi introduzida por um médico francês, Benoit Murè (1809-1850), que veio numa onda migratória da França e se estabeleceu em Santa Catarina. Discípulo direto de Hahnemann e formado na Universidade de Montpelier, estabeleceu-se em Santa Catarina e foi o precursor na criação de ambulatórios para atender pobres e escravos. Migrou do Brasil em 1848, deixando uma obra importante que foi a de reconhecer muitas espécies vegetais novas de nosso país e pregar sua preservação. Sua obra Higantopharmacologia foi traduzida para o francês e para o inglês.

A Farmacopeia Homeopática foi reconhecida no Brasil em 1976. O Conselho Federal de Medicina reconheceu a especialidade de homeopatia em 1980 e a Associação Médica Brasileira, em 1988. O governo iniciou, então, o fornecimento gratuito de homeopatia nas redes públicas do país.

A homeopatia encontra maior sucesso nas doenças funcionais, isto é, em doenças em que o fator psicológico é predominante. Dor de cabeça, fibromialgia, intestino irritável, asma, depressão, ansiedade e doenças dermatológicas são bandeiras de muitos homeopatas. Nestas doenças, o emocional é muito importante e a grande atenção que o médico homeopata dá ao paciente é determinante para resultados muito promissores. Foram feitos, no entanto, estudos científicos sobre essas doenças, não se encontrando evidências de que a homeopatia é realmente eficiente.

Apesar deste reconhecimento, que se fez principalmente pelo atendimento atencioso e ético dos médicos homeopatas, a homeopatia tem sofrido críticas em todo o mundo quanto à sua eficácia. Com a introdução da Medicina Baseada em Evidências, a homeopatia tem sido contestada quanto ao real benefício dos pacientes assim tratados. Na MBE, a comprovação das terapêuticas passam por muitos crivos, como testes duplo cegos, estudos randomizados e meta-análises que avaliam números superlativos de trabalhos produzidos no mundo inteiro. Até hoje, não existe nenhum estudo cientificamente comprovando que os medicamentos homeopáticos sejam eficientes. Os pacientes se sentem, na maioria das vezes, felizes com o tratamento, provavelmente pelo efeito placebo dos mesmos e pelo elogiável carinho com que são tratados pelos médicos homeopatas.

Para Oly Lobato, professor da UFRGS, a homeopatia é “uma medicina psicossomática que dispõe de claros e definidos recursos terapêuticos, pois ambas buscam a forma e a razão pela qual o homem adoece”.
 

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