Medicina alternativa: homeopatia (parte 2)
Sexta, 10 de Março de 2017

Apesar destas oposições as fórmulas galênicas continuaram a ser usadas até o fim do século 19, mais prejudicando do que ajudando as pessoas. Neste contexto, surgiu na Alemanha um médico, Samuel Hahnemann (Meissen, 1785-1843), que se contrapôs às fórmulas galênicas mostrando o prejuízo que as mesmas poderiam trazer às pessoas. Realizou uma experiência inédita em si próprio tomando extrato concentrado de quina, planta importada da América do Sul, e usada para tratamento do impaludismo. Ao tomar a infusão teve calafrios, febre, dor de cabeça, agitação e tremores semelhantes aos sintomas causados pela malária, chegando com isto à conclusão empírica de que a quina curava a malária porque apresentava sintomas semelhantes. Desta experiência, criou a ideia de que as doenças devem ser curadas com o semelhante (similia similibus curandur) sendo este o primeiro princípio da homeopatia.

Como o concentrado destas plantas dava reação forte, criou o segundo princípio que é o das diluições sucessivas. As drogas teriam de ser diluídas até chegar a doses infinitesimais das mesmas. Para chegar a uma homeopatia devia-se diluir o produto de 10 a 100 vezes. No conceito moderno de homeopatia, a diluição deve ser feita 30 vezes.
Hahnemann começou a clinicar em sua aldeia usando essas fórmulas, tendo algum resultado positivo. Iniciou a prática, comum na época, de médico itinerante. Em época de medicina baseada em misticismo, um médico estranho à comunidade fazia sempre mais sucesso em outras comunidades onde era desconhecido, confirmando o velho ditado de que "santo de casa não faz milagre". Seu sucesso em lugares distantes remeteu Hahnemann à estranha conclusão de que o seu preparado tornava-se mais eficiente pelo sacolejar de sua carroça que ocorria no percurso a outros locais. Esse é o terceiro princípio da homeopatia, o da sucussão. Encomendou a um fabricante de selas uma tábua forrada de couro com pelos de cavalo, que facilitava a viajem e evitava quebrar os frascos. Para efetivar a diluição a mistura teria de ser sacudida dez vezes, princípio ainda adotado nas fábricas de homeopatia.

O quarto princípio da homeopatia é a prova (Prüfung em alemão), incorporada após Hahnemann, consiste em dar a pessoas medicamentos em diluições diferentes e anotar os sintomas que os mesmos sentem. Esta será a imagem dos sintomas anotados em livro especial. O homeopata procurará compatibilizar os sintomas dos pacientes com aqueles obtidos na prova..

Com a carinhosa atenção do médico e com produtos inócuos as pessoas melhoravam pelo efeito placebo das drogas ou seja pela sugestão da melhora. Daí foi um passo até chegar a uma idolatria da homeopatia ainda associada ao misticismo, ao desconhecido, pois frequente as pessoas que chegam ao meu consultório encantadas com a prática desta medicina alternativa não sabem sobre os medicamentos usados, muito menos de sua fórmula que é escrita em latim.

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