Medicina holística (parte 1)
Sexta, 24 de Março de 2017

A profissão médica iniciou propriamente com os gregos. Foi Alkméon, século V a.C., que vivia em Crotona, no sul da Itália, o primeiro homem a dissecar cadáveres e ver qual a alteração que as doenças causavam no corpo humano. Até então, era entendido que as doenças eram desígnios dos deuses que enfeitiçavam as pessoas.

Um século após, surge Hipórates na ilha de Coz, atualmente Turquia, que se dedica a estudar medicina criando uma verdadeira escola médica com muitos seguidores. Hipócrates e seus alunos redigiram 72 livros, conhecidos como "Corpus Hipocraticum", nos quais dão grandes e inteligentes ideias sobre promoção da saúde, prevenção de doenças e tratamentos das mesmas. Um dos livros tratava da ética médica, preocupação de nossos dias. Sua visão era de caráter científico. Isto granjeou-lhe grande conceito sendo, desde então, considerado o pai da medicina. Hipócrates via o paciente em sua integridade e afirmava que o médico devia tratar doentes e não doenças, pois essas assumem características próprias dependendo do ser que a apresenta.

A partir de então, a medicina pouco evoluiu até o século XI, quando o conhecimento migrou para os árabes, que montaram grandes escolas em Damasco (Síria), Fez (Marrocos) e Cairo, no Egito. A primeira escola médica da Europa surgiu no século XII em Salerno, na Itália, construída por três médicos, um cristão, um judeu e um árabe. Os ensinamentos eram rudimentares e focavam-se principalmente nas doenças. O foco do tratamento era as doenças e o paciente havia sido esquecido.

No século XVI, surge na Áustria um médico cognominado Paracelso, que, seguindo Hipócrates, se revolta com o ensino da medicina e insiste que o paciente deveria ser o foco da abordagem médica, pois deveria tratar-se doentes, e não doenças.

Na mesma linha, Samuel Hannemann, início do século XIX, criador da homeopatia, preocupava-se muito com os doentes.

Com a influência de Descarte e da incipiente indústria farmacêutica, os médicos cada vez mais se focaram em doenças e tratamentos farmacológicos esquecendo o paciente, verdadeiro objetivo da arte médica.

Como resposta a esta atitude médica, Alfred Addler, em 1912, utilizando os conhecimentos deixados por Pavlov e Freud, iniciou um movimento chamado medicina psicossomática, vendo o doente como um ser com problemas físicos, ligados aos emocionais e também aos problemas de sociabilidade. Foi um movimento saudável, pois retornava aos ensinamentos antigos de priorizar o doente e não a doença. Recomendava uma anamnese do paciente, associado ao estudo dos familiares, de seu ambiente doméstico e de trabalho. Por influência da poderosa indústria farmacêutica, caiu no descrédito, pois seus profissionais passaram a usar preferencialmente tratamentos alopáticos, esquecendo de outras medidas, como apoio e orientação psicológica e social.

Iniciou-se então um movimento a favor da medicina holística. A medicina holística é entendida por alguns como medicina alternativa e por outros como uma nova abordagem de ver a prática médica.

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