Medicina holística (parte 2)
Sexta, 31 de Março de 2017

Holismo é uma palavra introduzida por um general e estadista sul africano J,C. Smuts em 1927, que significava "uma abordagem global".

Paulo Roos Wolpe, biólogo americano, estudioso da profissão médica assim definiu a medicina holística: "A M. H. é uma forma de atendimento que, de forma geral, reforça a primazia da relação médico paciente, a importância de fatores psicológicos, sociais e espirituais na saúde e na doença, a aceitação de modalidades terapêuticas não convencionais e a responsabilidade da pessoa no processo de saúde".

Como vemos, não há nenhuma novidade na medicina holística, apenas o enfoque da pessoa no seu contexto sócio ambiental. Contrasta com o que está acontecendo hoje, com profissionais sendo mal pagos pelos planos e mais pelo SUS que se obrigam a atender muitas pessoas em tempo limitado, não lhes permitindo avaliar as condições pessoais e socioambientais dos pacientes.

Recentemente, no 3º Congresso Brasileiro de Doenças Funcionais, o professor Douglas Drossmann, um dos maiores estudiosos do assunto do mundo, deixou claro que cada vez mais os médicos têm de entender o paciente como um todo, pois estudos de neuropatologia tem mostrado, graças ao recurso da ressonância magnética, que fatores externos podem ser causadores de alterações que desencadeiam em manifestações clínicas no ser humano.

Oly Lobato, nefrologista e professor da UFRGS afirma "...cabe a qualquer médico, holista ou tradicional responder diante do enfermo a três perguntas: 1) Quem é esta pessoa diante de mim? Quem é ela dentro da vida, dentro do mundo? Quais são seus sonhos, medos, frustrações e especialmente suas angústias? 2) Por que razão e de que forma foram alterados os diferentes planos de sua vida, somático, emocional, social e espiritual para trazê-la do estado de higidez para o de doente? 3) Que posso fazer para auxiliá-la?

Ainda que as perguntas acima pudessem ser respondidas num plano de ação por qualquer médico, não o são normalmente, isto porque o ensino da medicina impregnado pelo modelo biomédico, formal e reducionista, dá ênfase ao diagnóstico lesional, como se a parte fosse o todo e não permite uma abertura que cogite da vida espiritual, social, e emocional do homem doente. Entretanto, é na terceira pergunta que se mostra a diferença entre os dois modelos da prática médica. O modelo biomédico é restrito à sua terapêutica, ao contrário, na medicina holística, abre-se um leque de possibilidades terapêuticas que vão desde a imposição das mãos (para chegarmos a um extremo) até a mais pura droga química da alopatia. A terapêutica holista não é monopolista e nem onipotente. O melhor tratamento é o que minora ou cura o sofrimento do enfermo no aqui e agora de sua doença (e de sua vida).

Como regra, mais de uma forma de tratamento é prescrita (mas não a polifarmácia da alopatia): é tratamento e não remédio. Assim, um paciente hipertenso e obeso receberá uma dieta hipocalórica, uma sugestão para reduzir o sal da alimentação, um programa de caminhadas, uma técnica de relaxamento como medicação transcendental, alguns conselhos para modificar seu estilo de vida e, por fim, adicionalmente, drogas.

Como vimos, o preclaro professor nos dá uma visão completa de como se pratica a medicina holística, que nada mais necessita ser adicionado. Cada um pode chegar à sua conclusão, mas a minha é de que a medicina holística não é uma medicina alternativa, mas sim, um modo diferente de encarar a medicina tradicional.

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