ANTI-INFLAMATÓRIOS - parte 1
Sexta, 08 de Setembro de 2017

Entre as drogas mais usadas pelos pacientes no mundo inteiro estão os anti-inflamatórios. Há dois tipos de anti-inflamatórios: os corticóides e os não corticóides, chamados de anti-inflamatórios não esteróides (AINES). É destes que vamos falar neste artigo, pois calcula-se que 5% da população adulta ocidental regularmente faz uso deles.

O salgueiro e a murta são plantas reconhecidas desde a antiguidade. Os babilônicos já haviam reconhecido a propriedade antitérmica da casca dessas plantas. Hipócrates, no século IV a.C., citava as mesmas como antitérmicos e analgésicos. Sua ingestão era feita com sacrifício devido ao seu gosto muito amargo. A partir de 1870, a empresa alemã Bayer começou a estudar esse medicamento e conseguiu sintetizá-lo, acrescentando uma acetila, formando o ácido acetilsalicílico, que patenteou com o nome de Aspirina em 1899. Foi a primeira droga produzida sinteticamente e ainda hoje é o produto mais usado no mundo inteiro.

Conhecida como droga analgésica e anti-inflamatória, a aspirina teve suas propriedades comprovadas em 1971, quando o inglês Sir John Vane identificou que a droga quebrava o ciclo das prostaglandinas, explicando sua ação anti-inflamatória. Outro inglês, Crave, realçou sua função como inibidoras das plaquetas e protetora do paciente que, tendo tido um infarto, correria um risco reduzido de novo evento com o uso da aspirina.

Por estas conclusões, temos que os AINES têm ação analgésica, anti-inflamatória, anti-pirética e antitrombótica, evitando tromboses cardíacas, cerebrais ou mesmo de outras artérias do corpo. Seu uso também é feito na prevenção do câncer do intestino após retirada de pólipos e de mama, bem como após a retirada de pequenos tumores.

Com tantos benefícios é de se supor que, paralelamente, estas drogas tenham efeitos colaterais. Intoxicações por AINES representam 12% das internações por intoxicação medicamentosa nos Estados Unidos. Podem exercer efeitos nocivos nos sistemas digestivo, renal, cardíaco, cerebral bem como podem causar alergias e interação com outras drogas. De todos, no entanto, o sistema digestivo é o mais vulnerável, pois por inibirem as prostaglandinas, impedem a regeneração da mucosa do sistema digestivo causando úlceras, gastrites, dispepsias e, por vezes, comprometem o fígado, estando contraindicados em pessoas com hepatites ou cirroses. Nos dias atuais, 75% das hemorragias digestivas provenientes do estômago são causadas por AINES.

Outro efeito prejudicial da droga se faz nos rins. Seu uso pode determinar lesão renal, de tal maneira que seu uso deve ser monitorado em pessoas que sofram desse mal.

Por sua ação renal, os AINES podem aumentar a pressão arterial. Seu uso durante a gravidez ou a lactação deve ser acompanhado pelo médico.

Os AINES raramente causam alergia, mas quando surgem sintomas como coceira, erupção da pele, falta de ar, seu uso deve imediatamente ser interrompido.

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